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"Tudo que você tiver que ser, seja bom!". (Abraham Lincoln).

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Brasil - Os crentes e a crise



Vez por outra tenho ouvido alguns pregadores proclamar que nós os crentes estamos em Cristo e, por isso, não estamos em crise. Mas, passados os efeitos da sugestão sensacionalista do domingo à noite, logo chega a segunda-feira trazendo notícias de empresas fechadas, desemprego, preços altos, impostos pesados e de aperto financeiro, com repercussões não somente nas mesas das famílias mas também nas tesourarias das igrejas que elas frequentam.
  
Ainda assim, alguns insistem em examinar seus próprios bolsos com as lentes de inescrupulosos líderes, acreditando que tudo se explica espiritualmente, com uma única frase: - Não há crise! Você é que não está contribuindo como deveria e por isso o espírito  devorador está destruindo sua vida financeira!
  
Outros porém, admitem a crise e conseguem vê-la como resultado de uma política econômica desastrada praticada por um Estado infectado desde o seu nascimento pelo vírus da corrupção. Mas aqui temos outro problema porque não faz parte da tradição evangélica brasileira discutir essas coisas.

Crescemos ouvindo sobre o dever de cuidar bem da alma e fomos doutrinados para ser bons cidadãos, cumprir as leis e fazer a coisa certa. Mas o que fazer quando os pecados e crimes dos outros acabam por causar danos a uma cidade inteira? Como se posicionar diante de problemas nacionais envolvendo política, eleições, corrupção, ilegalidade, impeachment etc?

Sem a pretensão de esgotar o assunto, deixo aqui alguns conselhos que certamente serão úteis neste período de turbulência:

1. OUÇA OS DOIS LADOS – Em meio à tanta informação e contrainformação comuns em tempos assim, escute e leia o que é postado pelos dois lados. Fazendo assim, você diminuirá a probabilidade de emitir julgamentos precipitados e enxergará com mais clareza as verdades e inverdades publicadas por ambos os lados.

2. SEJA LIVRE – Crises políticas fazem o palco perfeito para que líderes cristãos de diferentes denominações, de direita e também de esquerda, se apresentem como “Representantes do Povo de Deus”, tentando padronizar o pensamento da massa evangélica de acordo com suas agendas pessoais. Que fazer?

É de bom alvitre ouvir o que dizem líderes espirituais mas nenhum pastor deverá jamais tomar de você o direito de pensar, opinar e decidir por si mesmo. É como saber comer peixe.

3. SAIBA LIDAR COM O DIFERENTE – Costumo dizer que prefiro uma democracia de maioria ateia a uma ditadura feita por religiosos. Naquela os crentes seriam poupados ao passo que nesta os incrédulos seriam executados.

Mesmo entre irmãos e tendo o cuidado de ouvir os dois lados de um conflito, nem sempre chegamos às mesmas conclusões. Quando isso acontece lá fora, por causa da alta carga de emoções que permeiam as discussões, muita gente parte para a baixaria e ataques pessoais, propagando discurso de ódio e tornando o clima ainda mais pesado.

Por isso, prepare-se para saber lidar na igreja com irmãos, pastores e leigos com convicções políticas divergentes das suas. Quando isso acontecer, não se sinta obrigado a mudar de opinião mas também não entre no jogo do diabo. Lembre disto: - Seu irmão em Cristo é seu irmão em Cristo!

4. FAÇA A LIÇÃO DE CASA – Como criticar a falta de transparência de qualquer órgão público se a congregação religiosa que você dirige não presta contas aos seus próprios membros? Quem irá ouvir sua voz se você denuncia as coisas erradas de Brasília mas faz essas mesmas coisas em seu município? Que diferença você terá feito se não participou dos desvios da Petrobrás mas se envolveu no desvio de merenda escolar ou é funcionário fantasma naquela cidadezinha de uma rua só?
 
5. ORE – Se informar, opinar, concordar, discordar, protestar, votar, ser votado e participar ativamente do debate político nacional, estadual ou municipal é direito de cada cristão e deve ser exercido cada vez mais. Todavia, não ignore o fato de que você também pode e deve contribuir com sua oração. Na oração sincera e humilde encontramos o discernimento e o autocontrole necessários para não andar na carne nem agir cegamente movido por impulsos.

Humberto de Lima  

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