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"Um líder é alguém que conhece o caminho, vai pelo caminho e mostra o caminho". (John C. Maxwell).

quinta-feira, 31 de março de 2016

Evangélicos e a Crise





Vez por outra tenho ouvido alguns pregadores proclamar que nós os crentes estamos em Cristo e, por isso, não estamos em crise. Mas, passados os efeitos da sugestão sensacionalista do domingo à noite, logo chega a segunda-feira trazendo notícias de empresas fechadas, de desemprego, de preços altos, de impostos pesados e de aperto financeiro, com repercussões não somente nas mesas das famílias mas também nas tesourarias das igrejas que elas frequentam.

Ainda assim, alguns se recusam a fazer da realidade de seus próprios bolsos uma leitura diferente daquela feita por seus inescrupulosos líderes e seguem em frente, acreditando que tudo se explica espiritualmente, com uma única frase: - Não há crise! Você não está contribuindo como deveria e por isso o demônio devorador está destruindo sua vida financeira!

Outros porém, admitem a crise e conseguem vê-la como resultado de uma política econômica desastrada praticada por um Estado infectado desde o seu nascimento pelo vírus da corrupção. Mas aqui temos outro problema porque não faz parte da tradição evangélica brasileira discutir essas coisas.

Crescemos ouvindo sobre o dever de cuidar bem da alma e fomos doutrinados para ser bons cidadãos, cumprir as leis e fazer a coisa certa. Mas o que fazer quando os pecados e crimes dos outros acabam por causar danos a uma cidade inteira? Como se posicionar diante de problemas nacionais envolvendo política, eleições, corrupção, combate à corrupção, legalidade, impeachment etc?

Sem a pretensão de esgotar o assunto, deixo aqui alguns conselhos que certamente serão úteis neste período de turbulência:

1. OUÇA OS DOIS LADOS – Em meio à tanta informação e contrainformação comuns em tempos assim, escute e leia o que é postado pelos dois lados. Fazendo assim, você diminuirá a probabilidade de emitir julgamentos precipitados e enxergará como mais clareza as verdades e inverdades publicadas por ambos os lados.

2. SEJA LIVRE – Crises políticas fazem o palco perfeito para que líderes cristãos de diferentes denominações, de direita e também de esquerda, se apresentem como “Representantes do Povo de Deus”, tentando padronizar o pensamento da massa evangélica de acordo com suas agendas pessoais. Que fazer?

Não se bloqueie. É como saber comer peixe. Se você ouvir o que eles têm para dizer, descobrirá que se não estão totalmente certos também não estão completamente errados. Há sempre algo aproveitável a ser aprendido. Só não permita que imponham a vontade deles sobre a sua liberdade pessoal. Nenhum pastor deverá jamais tomar de você o direito de pensar, opinar e votar por si mesmo.

3. ACOSTUME-SE COM O DIFERENTE – Costumo dizer que prefiro uma democracia de maioria ateia a uma ditadura feita por religiosos. Naquela os crentes seriam poupados ao passo que nesta os incrédulos seriam executados. Por que digo isso? Para lhe estimular a saber viver com o diferente.

Mesmo quando temos o cuidado de ouvir os dois lados de um conflito, nem sempre chegamos às mesmas conclusões. Quando isso acontece lá fora, por causa da alta carga de emoções que permeiam o debate político, muita gente parte para os ataques pessoais, propagando discurso de ódio e agravando ainda mais os problemas.

Por isso, prepare-se para saber lidar na igreja com irmãos, pastores e leigos, com convicções políticas divergentes das suas. Quando isso acontecer, não se sinta obrigado a mudar de opinião mas também não entre no jogo do diabo. Lembre disto: - Seu irmão é seu irmão!

4. FAÇA A LIÇÃO DE CASA – Quem irá ouvir sua voz se você denuncia as coisas erradas de Brasília mas faz essas mesmas coisas em seu município? Que diferença você terá feito se não participou dos desvios da Petrobrás mas se envolveu no desvio de merenda escolar e é funcionário fantasma naquela cidadezinha de uma rua só?

5. ORE – Se informar, opinar, concordar, discordar, protestar e participar ativamente do debate político nacional, estadual ou municipal é direito de cada cristão e deve ser exercido cada vez mais. Todavia, não ignore o fato de que você também pode e deve contribuir com sua oração. Na oração sincera e humilde você encontrará o discernimento e o autocontrole necessários para não agir na carne, cegamente movido por impulsos.

Humberto de Lima  

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