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"Um líder é alguém que conhece o caminho, vai pelo caminho e mostra o caminho". (John C. Maxwell).

sábado, 29 de outubro de 2016

SOBRE PASTORES E LÍDERES


Crescido em um lar cristão, eu pude ver, durante minha infância, adolescência e juventude, líderes e líderes. Alguns passaram pelo tempo e quase se apagaram da memória; outros porém, de forma positiva, marcaram minhas lembranças para sempre!

Vi líderes inseguros, ciumentos, centralizadores e consequentemente sobrecarregados. Também vi líderes de vida mais leve, sempre prontos para delegar tarefas e permitir o crescimento de seus discípulos através da pedagogia dos erros e acertos.

Jurei pra mim mesmo que se um dia eu me tornasse um pastor, seria alguém disposto a ajudar os Timóteos que Deus pusesse em meu caminho. Esse tipo de decisão traz uma alegria indizível para quem investe na formação de outros líderes. Como é bom ver nossos filhos de ministério crescendo!

Mais que isso, descobri também que ao ajudá-los eu estava ajudando a mim mesmo! A verdade é que o ministério pastoral pode se tornar uma missão suicida quando o Pastor Senior tenta fazer tudo sozinho.

Há quase dezesseis anos atrás decidi apostar em um time onde ninguém é perfeito. Eu erro, eles erram, nós erramos, nem sempre ganhamos, nem sempre as coisas dão certo... Mesmo assim, como é bom vê-los fazendo a Obra sem que eu tenha que colocar o meu dedo em cada detalhe!

Por tudo isso, compartilho aqui algumas coisas que você pode fazer para tornar seu corpo de liderança mais forte e sua vida mais leve:

1. Tire um dia de folga em cada semana e um mês de férias em cada ano.

2. Durante seu dia de folga e durante seu mês de férias, não ligue para saber como estão as coisas. Peça a eles que também não liguem. Isso parece muito radical mas fará bem ao seu descanso e ao crescimento deles!

3. Ensine o que você sabe.

4. Compartilhe com eles os vídeos que você vê, os cursos que você faz, os livros e as revistas que você lê.

5. Discuta com eles as estratégias e planos. Um plano de um homem é o plano de um homem, um plano discutido é o plano de uma equipe. Eles terão mais entusiasmo em participar de algo que ajudaram a criar!

6. Use a palavra nós toda vez que você tiver que falar das vitórias alcançadas. Nós conseguimos, nós vencemos, nós fizemos, nós construimos, nós compramos etc.

7. Encoraje-os para que identifiquem e invistam nos novos líderes em potencial que forem surgindo. Sempre haverá alguém vocacionado em busca de um Paulo que o queira adotar.
  
É claro que decepções acontecem mas elas são exceção e não regra. Se juntamente com o know-how do trabalho você também ensina valores de Jesus, não há motivos para estar inseguro. Você pertence ao Senhor, eles pertencem ao Senhor e a Igreja é propriedade do Senhor Jesus!

Portanto, relaxe e multiplique-se por meio dos novos líderes que estão esperando por seu apoio. Eles não serão exatamente iguais a você e você certamente continuará fazendo muitas coisas do seu jeito; porém, o trabalho no ministério pastoral será mais leve e os projetos postos em prática terão continuidade caso você decida sair em busca de novos desafios!

HUMBERTO DE LIMA

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

GOLPE NO ARTIGO 52


Se por um lado o Senado Federal acertou em garantir à ex-presidente Dilma o exercício da ampla defesa e do contraditório, por outro lado a mesma casa errou feio ao não aplicar, junto com a perda do cargo, a devida inabilitação, por oito anos, para o exercício de função pública prevista no parágrafo único do artigo 52 da Constituição Federal.

Tem razão o ex-presidente Collor ao reclamar que foram usados dois pesos e duas medidas, pois no caso dele a lei foi aplicada na íntegra, afastando-o do poder e tornando-o inelegível por quase uma década. Já no caso Dilma, houve parcialidade por parte do Senado ao condená-la à perda do cargo sem contudo lhe aplicar a inabilitação claramente prevista no texto constitucional.

Ao privilegiar o infraconstitucional regimento interno da casa em detrimento da Lei Maior, o Senado aprova um destaque e abre precedente para que a partir de agora todos os políticos cassados possam, por exemplo, perder o cargo em março e voltar como candidatos eleitos em outubro do mesmo ano, caso o ano seja um ano de eleições!

Olhando para a letra de lei acima fotografada, qualquer pessoa que saiba ler dirá que a regra é clara. Se houve golpe, o golpe foi desferido contra o artigo 52 da Constituição. Cabe portanto, ação junto ao Supremo Tribunal Federal para que a pena seja revista e amoldada às regras constitucionais.

HUMBERTO DE LIMA

sábado, 23 de julho de 2016

Filhos e Flechas



Como flechas nas mãos do guerreiro são os filhos nascidos na juventude. Como é feliz o homem que tem a sua aljava cheia deles!" - Salmo 127:4,5.

Depois de afirmar que os filhos são herança do Senhor, o salmista faz uso de uma bela metáfora comparando-os com flechas nas mãos do guerreiro. De fato, há muita semelhança entre bons filhos e boas flechas. Vejamos!
...
1. Boas flechas devem estar disponíveis nas horas difíceis - De nada serviria para um soldado no meio da guerra saber que suas flechas não estavam ali pertinho, prontas para serem usadas. Da mesma forma bons filhos sempre estarão presentes nas horas mais difíceis de seus pais, incluindo enfermidades e velhice.

2. Boas flechas são resultado de esforço - Fabricar boas flechas era trabalho artesanal que exigia tempo, paciência e concentração. Assim também educar filhos é missão trabalhosa que exige esforço e atenção contínuos.

3. Boas flechas são retas - Todo o esforço e tempo empregados na fabricação resultava em flechas retas de boa qualidade. Bons filhos devem ser trabalhados, ensinados desde pequenos para que se tornem pessoas retas, direitas, honestas (Provérbios 4:1-5 e 22:6).

4. Boas flechas precisam ter alvo certo - Atirar em qualquer direção significava, além do prejuízo da flecha perdida, risco para o flecheiro. Igualmente, precisamos conversar com nossos filhos sobre futuro, planos, alvos, sonhos, projetos... Conversar, orientar, encorajar... Para que eles não se tornem perdidos, sem rumo na vida.

5. Boas flechas vão além do atirador - Esta é uma vantagem da flecha sobre a espada. A flecha vai mais longe, mais além, onde o flecheiro não conseguiu chegar. Incentive seus filhos para que voem alto e conquistem coisas inéditas. É possível!

6. Finalmente chega o momento em que a boa flecha é lançada - Por ser boa flecha lançada por um bom arqueiro, ela finalmente acerta o alvo. Crie seus filhos de acordo com essa Palavra e não tenha medo quando chegar o tempo de soltá-los para a vida. Eles serão bem sucedidos!

Humberto de Lima

domingo, 17 de abril de 2016

Um dia depois do Impeachment


Depois de ser discutida no Conselho Federal da OAB, na Comissão Mista da Câmara dos Deputados, no plenário da mesma Câmara e no Supremo Tribunal Federal, ouvidos os dois lados e garantidos a ampla defesa e o contraditório em cada um desses ambientes, será votada hoje pelo plenário da Câmara dos Deputados a admissibilidade do pedido de afastamento da Presidente da República.

Se aprovado, o processo segue para o Senado Federal que poderá dar prosseguimento ou arquiva-lo.

Se for dado  prosseguimento no âmbito do Senado, a Presidente será afastada do cargo e substituída pelo sucessor mais próximo (Vice-Presidente) por um período de até 180 dias.
Dentro desse prazo, o Senado presidido pelo Presidente do Supremo Tribunal Federal, deverá emitir um julgamento definitivo decidindo pela perda ou pela continuidade no cargo. O prazo é improrrogável. Se ao final deste período os senadores não tiverem concluído o julgamento, a Presidente será reconduzida ao cargo e o assunto é encerrado.

Sem querer aqui entrar no mérito das peças produzidas pela acusação e pela defesa, devo dizer que do ponto de vista processual tudo até agora parece ter sido conduzido de forma a garantir que os  dois lados falem em todos os lugares e o tempo todo.

Dito isso, é perfeitamente possível ter uma previsão do que acontecerá nas duas casas, chamando a atenção para dois pontos importantes:

1. NENHUM DOS LADOS DEVE CANTAR VITÓRIA ANTECIPADA - O processo de impeachment envolve um julgamento jurídico-político, e, por ser também político, é influenciado por fatores estranhos à letra da lei.

Por exemplo, os dois lados poderão e certamente o farão, até ao último momento, atrair votos com promessas de verbas das famosas emendas parlamentares e farta distribuição de ministérios e cargos comissionados que serão mais tarde distribuídos entre os que resolverem mudar de lado. Essa realidade, portanto, torna o resultado da votação imprevisível, somente conhecido na Hora H.

 2. NENHUM DOS RESULTADOS TRARÁ, A CURTO PRAZO, AS SOLUÇÕES NECESSÁRIAS - Ressalvadas honrosas exceções entre os componentes dos dois grupos, devemos admitir que se por um lado sofremos a crise causada por um governo desastroso e desacreditado, por outro lado lamentamos a falta de uma oposição com força moral suficiente para lhe fazer frente.

A verdade é que se de fato queremos mudar o rumo das coisas para melhor, reformas deverão ser feitas ao longo dos próximos anos. Não falamos aqui de reformas bolivarianas, falamos de reformas que aperfeiçoem o funcionamento do Estado Democrático de Direito. Por isso, certamente deveremos rebater teclas como financiamento de campanhas, mecanismos de combate à corrupção, possibilidade de voto distrital, aperfeiçoamento do presidencialismo ou revisão do debate presidencialismo X parlamentarismo entre tantos outros temas correlatos.

Portanto, se houver processo de impeachment no Senado, independente do resultado definitivo, no dia seguinte o povo brasileiro ainda vai acordar com uma infinidade de problemas para resolver e alguns milhares de políticos ruins para serem substituídos nas esferas federal, estadual e municipal.

Humberto de Lima

quinta-feira, 31 de março de 2016

Evangélicos e a Crise





Vez por outra tenho ouvido alguns pregadores proclamar que nós os crentes estamos em Cristo e, por isso, não estamos em crise. Mas, passados os efeitos da sugestão sensacionalista do domingo à noite, logo chega a segunda-feira trazendo notícias de empresas fechadas, de desemprego, de preços altos, de impostos pesados e de aperto financeiro, com repercussões não somente nas mesas das famílias mas também nas tesourarias das igrejas que elas frequentam.

Ainda assim, alguns se recusam a fazer da realidade de seus próprios bolsos uma leitura diferente daquela feita por seus inescrupulosos líderes e seguem em frente, acreditando que tudo se explica espiritualmente, com uma única frase: - Não há crise! Você não está contribuindo como deveria e por isso o demônio devorador está destruindo sua vida financeira!

Outros porém, admitem a crise e conseguem vê-la como resultado de uma política econômica desastrada praticada por um Estado infectado desde o seu nascimento pelo vírus da corrupção. Mas aqui temos outro problema porque não faz parte da tradição evangélica brasileira discutir essas coisas.

Crescemos ouvindo sobre o dever de cuidar bem da alma e fomos doutrinados para ser bons cidadãos, cumprir as leis e fazer a coisa certa. Mas o que fazer quando os pecados e crimes dos outros acabam por causar danos a uma cidade inteira? Como se posicionar diante de problemas nacionais envolvendo política, eleições, corrupção, combate à corrupção, legalidade, impeachment etc?

Sem a pretensão de esgotar o assunto, deixo aqui alguns conselhos que certamente serão úteis neste período de turbulência:

1. OUÇA OS DOIS LADOS – Em meio à tanta informação e contrainformação comuns em tempos assim, escute e leia o que é postado pelos dois lados. Fazendo assim, você diminuirá a probabilidade de emitir julgamentos precipitados e enxergará como mais clareza as verdades e inverdades publicadas por ambos os lados.

2. SEJA LIVRE – Crises políticas fazem o palco perfeito para que líderes cristãos de diferentes denominações, de direita e também de esquerda, se apresentem como “Representantes do Povo de Deus”, tentando padronizar o pensamento da massa evangélica de acordo com suas agendas pessoais. Que fazer?

Não se bloqueie. É como saber comer peixe. Se você ouvir o que eles têm para dizer, descobrirá que se não estão totalmente certos também não estão completamente errados. Há sempre algo aproveitável a ser aprendido. Só não permita que imponham a vontade deles sobre a sua liberdade pessoal. Nenhum pastor deverá jamais tomar de você o direito de pensar, opinar e votar por si mesmo.

3. ACOSTUME-SE COM O DIFERENTE – Costumo dizer que prefiro uma democracia de maioria ateia a uma ditadura feita por religiosos. Naquela os crentes seriam poupados ao passo que nesta os incrédulos seriam executados. Por que digo isso? Para lhe estimular a saber viver com o diferente.

Mesmo quando temos o cuidado de ouvir os dois lados de um conflito, nem sempre chegamos às mesmas conclusões. Quando isso acontece lá fora, por causa da alta carga de emoções que permeiam o debate político, muita gente parte para os ataques pessoais, propagando discurso de ódio e agravando ainda mais os problemas.

Por isso, prepare-se para saber lidar na igreja com irmãos, pastores e leigos, com convicções políticas divergentes das suas. Quando isso acontecer, não se sinta obrigado a mudar de opinião mas também não entre no jogo do diabo. Lembre disto: - Seu irmão é seu irmão!

4. FAÇA A LIÇÃO DE CASA – Quem irá ouvir sua voz se você denuncia as coisas erradas de Brasília mas faz essas mesmas coisas em seu município? Que diferença você terá feito se não participou dos desvios da Petrobrás mas se envolveu no desvio de merenda escolar e é funcionário fantasma naquela cidadezinha de uma rua só?

5. ORE – Se informar, opinar, concordar, discordar, protestar e participar ativamente do debate político nacional, estadual ou municipal é direito de cada cristão e deve ser exercido cada vez mais. Todavia, não ignore o fato de que você também pode e deve contribuir com sua oração. Na oração sincera e humilde você encontrará o discernimento e o autocontrole necessários para não agir na carne, cegamente movido por impulsos.

Humberto de Lima  

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