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"Um líder é alguém que conhece o caminho, vai pelo caminho e mostra o caminho". (John C. Maxwell).

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Fonte amarga, água amargosa


Lula não pensou duas vezes antes de falar em uma palestra para sindicalistas, semana passada em São Paulo. Averso aos discursos escritos, ele sentiu-se à vontade para dizer com a boca coisas das quais seu coração estava cheio.

Mas diz o ditado popular que quem fala tudo o que quer pode ouvir o que não quer. E o revide foi imediato. O fato repercutiu na imprensa, resultando em muitos cliques e não poucas críticas. De um lado teve vídeo do Senador Magno Malta (ES), do outro lado saiu vídeo do Pr. Silas Malafaia, ambos vistos e compartilhados por milhões de evangélicos em todos os cantos do país. Ao discursar, Lula atirou no próprio pé, atraindo para si a apatia de um grupo significativamente numeroso e que embora dividido em questões litúrgicas, teológicas e também políticas, poderá rezar pela cartilha da oposição. Magno Malta, por exemplo, já votou nele e agora apela para que seus seguidores esqueçam o petista e o partido da estrela.

Onde errou o ex-presidente?

1. Errou ao esquecer que no mundo da política nada do que se diz se desperdiça. Tudo se aproveita, contra ou a favor. Neste caso, a primeira hipótese prevaleceu.

2. Errou ao ensinar o cinismo. Ao dizer, em tom de piada, que o Governo Federal e os sindicalistas devem culpar o diabo pelas omissões e maus feitos deles, Lula tratou com desprezo os problemas nacionais e subestimou a inteligência do povo. Como cristãos, acreditamos que o diabo existe e exerce sua influência neste mundo, mas não é correto debitar tudo na conta dele. Como cidadãos, entendemos que maus gestores devem ser investigados, devidamente julgados e, quando culpados, devem ser punidos. 

3. Errou ao generalizar. Em sua fala, ele não teve o cuidado de separar o joio do trigo e confundiu a parte com o todo. De acordo com a lógica lulista, as coisas funcionam assim: "Um homem de boné amarelo furtou a bolsa da senhora idosa. Portanto, homens de boné amarelo são ladrões".

É verdade que existem pastores que espiritualizam tudo e atribuem aos encostos todos os casos de desemprego, conflitos familiares, enfermidades e dificuldades financeiras. Hábeis mercadores, alguns são capazes de vender por R$ 1.000,00, livros que valem apenas R$ 80,00. Também se apresentam como mediadores entre Deus e os sofredores, ensinando em seguida que é possível barganhar com o Altíssimo. 
- "Faça um sacrifício de R$ ... Deposite tudo aqui e o seus problemas serão resolvidos!"

Neste tipo de negócio não há certificado de garantia e quem tem as expectativas frustradas não pode pedir o dinheiro de volta. Os neo-pregadores logo dizem que se nada deu certo, foi por falta de fé do pobre sujeito. Asqueroso, não é?

Apesar disso, Luis Inácio deve um pedido de desculpas a muita gente. Não são todos os pastores que agem desse jeito, assim como não são todos os políticos corruptos, não são todos os advogados mentirosos nem são todos os padres pedófilos. A grande maioria dos pastores brasileiros é honesta, trabalha muito, ganha pouco, usa transporte coletivo, depende do SUS, não tem espaço na mídia e é cuidadosa no uso das palavras.

Humberto de Lima

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