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"Tudo que você tiver que ser, seja bom!". (Abraham Lincoln).

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Eu no Congresso Nacional


Cheguei pouco depois das 14:00 e comecei pela Câmara. Depois de me identificar junto ao pessoal encarregado pela segurança, recebi um botom específico para visitantes e saí de lá para explorar e conhecer outros setores da Casa.

Como estava sozinho, precisei de vários funcionários para me fotografar e também para me dar informações. Fiquei admirado com a simpatia deles e saí de lá com a impressão de que os servidores do legislativo federal são servidores felizes. O plenário da Câmara tinha pouca gente e a sessão do dia parecia não querer decolar. Troquei ideias com o policial de plantão e com uma capitã da Aeronáutica que lá também se encontrava e logo depois rumei para o Senado.

Nos corredores, apesar de anônimo, fui cumprimentado com reverência por várias pessoas que nunca vi. Estavam me confundindo com algum famoso?

Entrei finalmente no plenário do Senado. Havia começado o grande expediente e o Senador Magno Malta proferia inflamado discurso. Gosto de ouvir bons oradores e não prestei atenção a outros detalhes enquanto ele prosseguia. Confesso que fiquei emocionado e por um instante também me imaginei ali naquela tribuna, falando em benefício de minha querida Paraíba!

Sentado a poucos metros de figuras folclóricas, comecei a fazer uso da agenda, da caneta e do celular, registrando tudo o que podia.

O próximo orador subiu e percebi que muitos senadores não tomaram conhecimento da presença dele nem de sua fala; estavam quase todos conversando em pé e de costas para ele. Além de mim, somente meia dúzia de parlamentares, os poucos visitantes e o pessoal da segurança pareciam dar atenção ao homem que falava como quem fala ao vento.

Dois deles se inscreveram para discursar sobre a CPI da Petrobrás, um contra e o outro a favor.  – Agora a coisa vai pegar fogo e todos vão se voltar para a tribuna! – Pensei. Engano meu. Enquanto três pessoas tentavam ao mesmo tempo cochichar alguma coisa nos ouvidos de José Sarney, novos grupos de conversas paralelas iam se formando. Fiquei chateado. O Senado é bonito, mas parece uma feira livre! 

Apesar de suas imperfeições, as duas casas, formadas por integrantes de vários partidos e escolhidos pelo voto direto do povo, são instituições necessárias ao equilíbrio do Estado Democrático de Direito e devem ser valorizadas e acompanhadas por todos nós. 

Era quase noite quando saí de lá, ainda sonhando com a possibilidade de um dia poder usar aqueles microfones para o bem da nação. Mais tarde, já deitado em  casa, refleti sobre tudo o que vi e ouvi naquela tarde e adormeci com uma pergunta. Quem votaria em mim

Humberto de Lima

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