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"Eu penso que patriotismo é como caridade - Começa em casa!". (Henry James).

terça-feira, 6 de maio de 2014

Postagens que matam


O Jornal Nacional dessa segunda-feira, dia 05 de maio de 2014, apresentou matéria das mais chocantes. Em uma cidade do litoral de São Paulo, uma jovem morreu vítima de espancamento por populares que a confundiram com o retrato falado de uma suposta feiticeira acusada de assassinar crianças em rituais satânicos.  Detalhe: O retrato falado fazia parte de um boato publicado pela internet! Por mais extremo que pareça, esse caso serve de alerta sobre a responsabilidade que assumimos cada vez que lemos ou escrevemos algo nas redes sociais.

Nesta era de informação ultrarrápida, basta um toque na tecla ENTER e alguns segundos para que uma mensagem de texto voe de Porto Alegre a Macapá ou aquela foto viaje de Honolulu a Lisboa.

Como num jogo frenético, carregado de informação e contrainformação, emissores e receptores parecem estar preocupados apenas com a rapidez com que dão suas tacadas. Assim, postar primeiro, curtir primeiro, comentar primeiro ou compartilhar primeiro, acaba sendo para muitos o objetivo maior de toda e qualquer atividade na rede mundial de computadores.

Nesse contexto, podemos afirmar que já se foi o tempo em que mentira tinha pernas curtas e não conseguia ir muito longe. Hoje em dia, verdades e inverdades se deslocam na mesma velocidade, e, separadas ou juntas, conseguem chegar a qualquer lugar do mundo!

Para tornar tudo mais complexo, acrescente-se que o século vinte e um é o século das montagens; e, por causa delas, mentiras são divulgadas como se fossem verdades e vice-versa. Até que um especialista ou perito se pronuncie sobre a fraude, muitos males poderão ter sido causados a um indivíduo em particular, a uma instituição ou a uma nação como um todo.

A cada ano, centenas de religiosos, artistas, empresários, servidores públicos, celebridades em geral e políticos, principalmente políticos, são vítimas dos teclados apressados. Mas não são os famosos os únicos prejudicados por essa inconsequente mania. Assim como no caso da jovem vítima mostrada na reportagem de hoje, qualquer um, a qualquer hora, poderá ter que lidar com os danos, às vezes irreparáveis, causados pela injúria, calúnia, difamação ou pelo uso ilícito da imagem alheia.

Por essas e por outras razões, no mundo virtual, ser rápido demais no gatilho nem sempre é bom. O que fazer, então, para não se envolver nem contribuir com injustiças da rede?

1. Fuja das generalizações – Apesar dos maus exemplos perceptíveis nestas e em qualquer outra atividade, não é verdade que todo padre é pedófilo, todo pastor é desonesto, todo advogado é mentiroso, todo político é ladrão.

2. Lembre-se do princípio da presunção de inocência – Todo cidadão deve ser considerado inocente, até que, por devido processo legal que lhe assegure direito à ampla defesa e ao contraditório, seja considerado culpado em sentença judicial para a qual já não caibam recursos.

3. Controle seus impulsos – Geralmente, o mundo das redes sociais nos tenta a dar parecer sobre todos os assuntos e a opinar sobre todos os conflitos. Quando o fazemos apressadamente, corremos os riscos de cometer equívocos e de atrair contra nós processos judiciais e outras reações igualmente desconfortáveis. Por isso, respirar fundo e analisar as coisas com calma é sempre bom antes de comprar qualquer briga.

Dois mil anos depois, o conselho de São Tiago parece cada vez mais atual: - Esteja sempre pronto para ouvir, tardio para falar e tardio para irar-se.

Humberto de Lima

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