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"Tudo que você tiver que ser, seja bom!". (Abraham Lincoln).

segunda-feira, 17 de março de 2014

Quando religião faz mal


Sendo a religião busca pelo Sagrado e tentativa de religação com o Divino, é de se esperar que crentes de todas as crenças contribuam para a existência de um mundo melhor. De fato, bons exemplos podem ser encontrados em toda a parte. Porém, há situações que analisadas à luz do bom senso, revelam que a prática religiosa às vezes pode ser equivocada e portanto danosa aos que nela se envolvem. Senão, vejamos:

Religião faz mal quando inculca na cabeça de seus seguidores a ideia de que são os únicos detentores de toda a verdade. Auto-declarados superiores em relação ao resto da humanidade, eles se tornam encarnação da arrogância.

Religião faz mal quando prega que é permitido matar em nome do Altíssimo. Ora, embora faça sentido a hipótese da legítima defesa, a solução dos conflitos por meios pacíficos continua sendo a alternativa mais sensata e deve ser buscada sempre. Nenhuma guerra é santa!

Religião faz mal quando desestimula o pensar. Quem não pensa por si mesmo, não questiona! E quem não questiona é facilmente enganado, manipulado e explorado pelos aproveitadores de plantão.

Religião faz mal quando sufoca a música, amordaça a poesia, proíbe a risada e inibe a celebração. O semblante e o jeito de ser azedo de gente que diz ter tido um encontro com deus sugerem a pergunta: - Qual deus?

Religião faz mal quando põe cabeças nas nuvens e faz esquecer que os pés ainda estão no chão. Dessa forma, a alienação que se instala impede que os crentes assumam o papel histórico e transformador que lhes cabe na sociedade.

Religião faz mal quando apela o tempo todo para o miraculoso. Os que assim fazem, deixam de arregaçar as mangas em prol de uma melhor qualidade de vida e tornam-se presas fáceis dos charlatões modernos.

Religião faz mal quando o discurso e a prática não se encontram, ainda que o discurso seja muito bom. O Pe. Antonio Vieira em seu Sermão da Sexagésima acertadamente já dizia: - Preguem também aos olhos e não apenas aos ouvidos!

Religião faz mal quando focamos mais nas divergências do que naquilo que temos em comum. É saudável que cada um possua e saiba defender seus pontos de vista, mas é preocupante que crentes persigam e maltratem outros crentes por causa de diferenças denominacionais, dogmáticas, litúrgicas ou doutrinárias.

Religião faz mal quando se mistura com o Estado. Os anais da História estão aí para provar que na maioria das vezes esse tipo de casamento resultou em corrupção clerical, intolerância contra os fiéis de outros credos e perseguição implacável contra os que admitem não crer.

Religião faz mal quando provoca anomalias relacionais. Se por um lado erra aquele que se isola e nada faz para melhorar como gente, por outro lado também erra aquele que dentro do ambiente religioso esquece da trave em seu próprio olho e ocupa-se em fazer publicidade do argueiro no olho do vizinho.

Religião faz mal quando tenta criar super-homens e semi-deuses. Na ânsia de vender bem seus produtos, algumas estrelas do Faith-Business tentam passar a ideia de que nunca choram, nunca perdem, nunca adoecem, nunca pecam... Um dia a casa cai e o lado humano e falível deles acaba aparecendo para decepção daqueles que os idolatram.  

Religião faz mal quando pensamos que já sabemos tudo. Todavia, no cuidar de uma planta, no caminhar pela praia, na apreciação das artes, na festa de casamento, na casa do luto, na brincadeira com a criança, na conversa com o idoso e na convivência comunitária, ainda temos muita coisa boa para aprender sobre o Eterno e sobre a vida. 

Humberto de Lima

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