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"Quando a escola progride, tudo progride!". (Martinho Lutero).

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Dom Ratão e o caso da Pizzaria Real

Ano 2035. Agora aposentado, sua cadeira de balanço range enquanto ele se prepara para contar mais uma de suas experiências juvenis. Aos seus pés, gulosos por aprender, se amontoam os netinhos.

- Vô, conta aquela em que você ficou preso, só que não!
- Já faz tanto tempo...

Tudo começou quando eu entrei na pizzaria do rei. Fiquei muito tentado! Não sabia se roía ou se carregava, não sabia se carregava ou se roía!

Para complicar a situação, descobri que não estava sozinho. Dentão e sua turma já estavam lá e foram logo dizendo que tudo teria que ser dividido. Em nossa família não gostamos de dividir nada com ninguém mas como não tinha outro jeito, topei.

Até que um dia todos nós fomos descobertos. De uma hora pra outra, viramos manchete nos jornais da Ratolândia. Foi muito ruim! Por um lado, aqueles que andam filmando tudo e gravando tudo não nos davam sossego, por outro lado, a ira de todos os gatos e dos demais bichos da Terra estava crescendo contra nós.

Apelamos, deixamos o tempo correr, mas ninguém nos esqueceu. A lei era clara e dizia que subtrair para si ou para outrem qualquer item da grande Casa de Massas resultaria na temida punição da ratoeira.

Eu já estava lá, Preso da Silva, esperando a qualquer momento a lapada que me lascaria todo e acabaria de uma vez com esta minha vida camundonga. Naquele mesmo dia, condenado por quatro a três, um pato já havia ido para a panela por ter matado um pinto em frente ao comedouro. Naquela mesmíssima tarde, o time dos cachorros doidos tinha perdido um torneio por diferença de apenas um ponto.

Meninos, no meu caso, eu também já estava perdido, mas na Hora H alguém remexeu os arquivos e descobriu um papelzinho que fazia de meu caso um caso privilegiado, colocando por terra tudo o que fora antes ensinado pelas Ciências Exatas. Era mais ou menos assim: Lá estava escrito que se eu tivesse perdido a causa por 6x4, então eu não tinha perdido causa alguma. Bastavam 4 dos 10 terem votado a meu favor para fazer dar em nada o voto dos outros seis que haviam me condenado. Com esse e outros artifícios processuais, fui me safando devagarinho, pouco a pouco... 

- Vô! Foi nesse caso da ratoeira que o senhor perdeu sua vassoura ou ela ficou presa na mão de Dentão no primeiro dia em que você entrou na Pizzaria Real?
- Nem uma coisa nem outra, Furtinécio Júnior! Esse detalhe até hoje continua sendo um mistério.  Fui dormir com ela e acordei sem ela! Dias depois, se espalhou por todo o país a notícia de que minha longa e peluda cauda havia sido encontrada dentro de uma garrafa de Coca-Cola!
 

Humberto de Lima

2 comentários:

Gerlane Meneses de Oliveira disse...

ai ai ai isso é vida real! Muito bom, digo: O texto, não o real. kkkkkkkk

Max de Lima disse...

kkkk! Muito bom!

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