" "

"Eu penso que patriotismo é como caridade - Começa em casa!". (Henry James).

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Onde estão os profetas?



Tenho divergências doutrinárias com os católicos romanos; pensamos diferente em relação a muitos assuntos. Porém, eu os aplaudo pelo fato de essa semana terem se dirigido ao governo brasileiro através de nota emitida pela CNBB e veiculada pela Folha de São Paulo no dia 21/06/2013. Na nota, além de acertadamente condenar o vandalismo praticado pela minoria dos que foram às ruas, os bispos dizem ao governo: - O povo está clamando! Tomem uma atitude!

No lado evangélico, as grandes organizações eclesiásticas (Convenções, Alianças, Concílios etc), por sua vez, dão a impressão de estarem em cima do muro. Estariam esperando pra ver qual dos lados se sairá melhor nos gráficos das pesquisas de opinião? Estariam se comportando como torcedores que esperam terminar o jogo para só então vestir a camisa da equipe vencedora? Estariam simplesmente observando tudo com indiferença? Infelizmente, ao longo dos anos, a História tem mostrado que essas lideranças persistem no caminho da  omissão. 

Geralmente, o mundo evangélico só reconhece como vozes proféticas aqueles que gritam mais alto em defesa da cultura, dos usos e costumes e dos dogmas próprios de suas denominações. Quando se tornam conhecidos, esquecem de usar a notoriedade alcançada em benefício da justiça que é proposta pelo evangelho e fazem do sucesso e da fama parada obrigatória e destino final.

Como os religiosos da parábola do bom samaritano, seus discursos trocam de calçada e passam bem longe da problemática social que castiga nosso povo com os prejuízos causados pela corrupção, carga tributária altíssima e serviços públicos de péssima qualidade.

Ora, os profetas do Antigo Testamento somente de vez em quando faziam alguma predição em relação ao futuro. Na maior parte do tempo, estavam ocupados denunciando o pecado do povo e a injustiça de seus governantes. Basta dar uma olhada em Amós 2:6-8, para que você tenha uma pequena amostra do que aparece nos escritos dele e dos outros profetas!

João Batista, considerado por Cristo o maior entre todos os que nasceram de uma mulher, vivia a questionar Herodes pelo fato de este viver com a mulher de seu irmão. Veja Mateus 14:1-12.

No final do Novo Testamento, a carta de São Tiago, além de registrar o protesto do autor contra injustiças praticadas por patrões contra trabalhadores rurais de sua época, deixa bem claro que o próprio Deus está do lado destes e contra aqueles. Veja na mesma carta: 5:1-6. 

Raposas nos tempos bíblicos costumavam atacar as vinhas e por isso eram tidas como símbolo de roubo. Quando alguém era comprovadamente astuto e ladrão, o povo logo o chamava de raposa. E Jesus Cristo, que era profeta por excelência e tinha autoridade para dizer o que disse, não hesitou em chamar Herodes de raposa! Veja Cantares 2:15 e Lucas 14:31-34.

Não estou sugerindo aqui que alguém saia praticando calúnia ou difamação contra quem quer que seja. Ambas as ações são tipificadas como crime, portanto, puníveis, conforme afirma o nosso Código Penal. Além disso, a Constituição Federal Brasileira, em seu artigo 5º, inciso LVII, estabelece que “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória”. Em outras palavras, somente depois de concluído o devido processo legal, não cabendo mais recursos, é que alguém finalmente poderá ser considerado culpado e condenado na forma da lei. Trata-se do princípio da presunção de inocência!

Também não estou promovendo adesão aos vândalos ou aos movimentos que têm como objetivo a extinção dos partidos políticos e de outras instituições próprias de um Estado Democrático de Direito.

Nem estou apelando para que comprem a ideia de que um único cidadão deverá com mão de ferro se transformar no salvador da pátria. Todos os povos que entraram por esse caminho descobriram mais tarde que é assim que nasce um ditador! Creio que sociedades justas são construídas com a participação de todos.

Entretanto, na vida em sociedade, o mínimo que se espera de homens de Deus, é que ergam a voz para defender o direito dos pobres e necessitados (Provérbios 31:8), principalmente quando a pobreza e necessidade deles for resultado de corrupção e do descaso governamental.

Humberto de Lima

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Por que eu estava lá

Cheguei por volta das 16:30. O pastor Joaquim de Andrade já estava por lá, me esperando. Partimos para a concentração dos manifestantes e, a princípio, imaginei que a passeata seria um fracasso devido ao pequeno número de pessoas que ali se encontrava.

Enquanto aguardávamos pelo começo do movimento, Joaquim conversava e compartilhava comida com um mendigo que se aproximou de nós. Morador da periferia, o homem contou que tem filhos, vem diariamente ao centro para catar lixo e pedir alguma coisa ao povo que passa.

Pouco a pouco, a multidão começou a crescer, a polícia chegou sem portar armas letais e se posicionou observando tudo dos arredores da praça.  Um mar de gente encheu as ruas de Campina Grande! E a marcha fluiu pacífica, com milhares de cartazes mostrando que o povo brasileiro vale mais que vinte centavos. 

Por que eu estava lá?

Eu estava lá porque a Constituição Federal de meu país a mim garante o direito de aplaudir ou protestar publicamente.

Eu estava lá dando continuidade ao que eu já fazia. Leitores do meu blog sabem que sempre escrevi contra o descaso com que nossas autoridades tratam o nosso povo.

Eu estava lá porque a leitura que fiz dos velhos profetas, do evangelho de Jesus e das cartas dos apóstolos me ensinou que devo me posicionar ao lado da Justiça, em favor do desamparado, do órfão, da viúva, do trabalhador, do mudo...

Eu estava lá porque sei fazer diferença entre política e politicagem. Como pregador do evangelho, nunca vendi meu voto nem usei o púlpito para beneficiar nenhum candidato ou partido. Deixo meus irmãos livres para que votem e sejam votados de acordo com a consciência de cada um.

Eu estava lá porque também sou brasileiro, uso transporte público, não tenho plano de saúde, preciso do SUS e não concordo com a corrupção.

Eu estava lá porque desejo que no ano 2083, meus netos e bisnetos saibam que eu fiz a minha parte para deixar pra eles um Brasil melhor. É assim que eu quero que eles lembrem de mim!

Humberto de Lima

Mais lidas na semana