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"Eu penso que patriotismo é como caridade - Começa em casa!". (Henry James).

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

O canivete e a carta



Quando menino, eu sempre senti vontade de ter um canivete daqueles usados pelos soldados do exército suíço. Porque eu ainda não tinha a idade certa e também por causa das dificuldades financeiras de meu pai, passei pela infância sem conseguir realizar o sonho.
 
Várias vezes, falando sobre o tempo certo para cada coisa da vida, usei o fato para ensinar que meu pai agiu corretamente quando não deu um objeto cortante para o seu pequeno Beto de apenas cinco anos de idade. Também ensinei que Deus tem seus motivos para não dar tudo o que pedimos do jeito e na mesma hora em que pedimos. 
 
Finalmente deixei de ser pirralho e fiquei pronto para usar aquela faquinha sem me ferir e sem ferir ninguém. Mas as décadas voaram e o meu orçamento apertado nunca permitiu sobrar dinheiro para comprar o objeto de meu desejo. Às vezes, quando via um deles em alguma vitrine, repetia em pensamento a mesma oração dos tempos de guri: - Oh, como eu gostaria de poder ter um desses!
 
Há duas semanas, depois de um ano inteiro orando sobre outro assunto, sem contudo obter qualquer resposta, cheguei a pensar que Deus não estaria interessado no que eu vinha lhe dizendo. E falei: - Senhor, eu sei que meu relógio nem sempre está certo com o seu; portanto, pode me responder quando quiser responder. Dá-me porém um sinal de que minhas petições ainda são ouvidas!
 
Esta manhã, enquanto abria uma pequena sacola que me foi presenteada por um irmão que estava me visitando e nada sabia sobre tudo o que você já leu acima, fiquei surpreso ao ver que lá estavam um calção, uma camiseta e um canivete suíço! No pacote, a pequena carta dizia assim:
 
“... Um dos presentes que temos pra você é uma faca de bolso com muitas ferramentas – Um canivete daqueles usados pelo exército suíço com muitas ferramentas. Ele me foi dado por um homem de nossa igreja antes de nossa viagem. Ele me disse que possuiu este canivete por vinte anos e ele sentiu que deveria entregá-lo a mim. Ele sentiu que este canivete deveria vir para o Brasil. Eu gostaria que você tivesse esse canivete como um símbolo. Que ele lhe faça lembrar as muitas ferramentas que você tem ao seu dispor em seu trabalho de ajudar às pessoas de sua comunidade a ter um relacionamento com Jesus. O estojo de couro foi feito pelo homem que possuía o canivete. Que este estojo lhe faça lembrar a Igreja Comunitária Riverside. Sete de nós vieram para Fagundes, mas duzentos ficaram em casa orando por você. Que Deus te abençoe. Steve.”
 
O sinal foi dado. Ao responder a uma oração que eu fazia desde os meus verdes anos, o Eterno confirmou que ainda me ouve!
 
Grato, sigo em frente, certo de que ele no tempo certo me dará todas as outras respostas das quais preciso e me guiará pelo futuro que está adiante.
 
Humberto de Lima

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