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"Quando a escola progride, tudo progride!". (Martinho Lutero).

sábado, 4 de agosto de 2012

Eu e o tempo


 
Longe da ingenuidade dos tempos em que me chamavam de Beto, hoje percebo que nem todo mundo se aproxima da gente porque da gente gosta. Às vezes, somos apenas a vantagem ou o elo de ligação entre a pessoa que nos procura e a vantagem por ela buscada.  Coisificados e usados, entristecemos. Apesar disso, ainda aposto em amizades e opto por seguir em frente, fazendo o bem.
 
Já não vejo a vida como a estrada sem fim de antigamente; metade, talvez mais da metade de meus dias já se foram. 
 
Também sei que recordações dolorosas de vez em quando aparecem sem que eu precise chamá-las, mas não quero que o tempo que me resta seja um lamento do tempo que se foi. Prefiro remexer as memórias gostosas de ontem e viver intensamente meu presente ao ponto de produzir coisas boas que serão por mim lembradas em algum lugar do futuro, na cadeira de balanço de uma varanda qualquer.
 
Já não quero a companhia daqueles que de dedo em riste arrotam santidade e vivem condenando o resto do mundo; escolho ter por perto gente que precisa de gente,  gente que admite ser carente da graça de Deus.
 
Tenho minhas ambições mas já não penso em abarcar o mundo com as pernas; troquei alguns sonhos por outros que não são medidos em quilômetros, quantificados em números ou avaliados em dinheiro.
 
Hoje sei que não tem preço sentir o cheiro de um livro novo, pousar as mãos sobre o teclado e esculpir mais um texto, ajudar o adolescente que está com medo da próxima prova, encontrar um amigo e trocar idéias, praticar a boa ação do dia, ouvir a música, ler os poetas, aprender coisas novas, ter bichos no quintal, andar no mato, olhar o mar, comer frutas que eu mesmo plantei, sentir o prazer do exercício físico, descer do púlpito com a certeza de que levantei mais alguém, gostar do meu trabalho, ter um cantinho onde eu possa me esconder e orar sem pressa, enviar e receber mensagens de afirmação, dar abraços, receber abraços... Agora eu sei que o tempo voa. 

Carpe diem!
 
Humberto de Lima

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