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"Eu penso que patriotismo é como caridade - Começa em casa!". (Henry James).

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Calça Fubenta


Pasta o cavalo, passa um menino,
Badala o sino, buzina a rural,
Vagueia o cachorro na estrada poeirenta,
E a calça fubenta pinga no varal.

Canta a cigarra, se aquieta o vento,
Não passa o tempo, a rede não balança,
Sem música e sem dança cochila a tarde,
E a calça fubenta seca no varal.

Olhos cerrados fogem do mormaço,
O chapéu de palha cobre a cara toda.
É de barriga cheia o sonho que vem,
Fazendo cair e bater com o sedém!
 
Foi só pesadelo; ninguém levou nada.
Bota, cinto, e o perfume de feira pra sentir na venta...
Já tirou da mala a camisa de listra,
Tudo combinando com a calça fubenta.

Ruma para o rancho de porta amarela;
Chama na janela e estremece todo.
- Oh de casa! - Oh de fora!
Depois o abraço, o cangote dela e no sofá da sala um papo gostoso...
 
A noite crescida já se fez mulher,
A égua o leva de volta pra casa.
E assim vai voltando, marcha compassada,
Pensando no casório, na lua de mel e imaginando os meninos soltos na calçada...

Amanhece o dia, toma providências,
Compra um paletó, manda encurtar as mangas;
Também engraxa as botas no Seu Genival,
Marca para um sábado a festança linda,
E e a calça fubenta volta pro varal.

Humberto de Lima

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