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"Eu penso que patriotismo é como caridade - Começa em casa!". (Henry James).

terça-feira, 24 de julho de 2012

Brasileiros e livros em tempos de facebook


A rede social criada por Mark Zuckerberg e seus colegas cresceu ao ponto de se tornar a maior do mundo. O fato é que além de conectar gente de tantas línguas, povos e nações, o Facebook é uma das mais visitadas e lucrativas vitrines do planeta, movimentando milhões de dólares todos os meses.
 
Mas não são apenas propostas de negócios que a gente vê por lá. Além de poder reencontrar velhos colegas de infância e conhecer gente nova, na rede também é possível aprender um monte de coisas, inclusive literatura!
 
Um poema aqui, uma crônica acolá; e lá se vai o nosso povo postando e repassando textos que favorecem a troca de idéias, estimulam o pensamento e, esperamos, ajudam a vender a imagem de nação intelectualizada.
 
O grande problema é que brasileiros gostam de computadores, celulares e aparelhos de TV, mas não gostam muito de livros. Em conseqüência disso, postam e compartilham todos os dias uma série de coisas que além de denunciar a falta de leitura, acabam por prejudicar seus próprios escritores.
 
Há algum tempo atrás, pegaram um texto de Ricardo Gondim e o divulgaram como se fosse de Rubem Alves. A rede também está cheia de textos atribuídos a Fernando Pessoa, embora nenhum deles tenha sido encontrado nos livros do poeta.  Teria ele ressuscitado e voltado a escrever?
 
Carlos Drumond de Andrade, Clarice Lispector, Luis Fernando Veríssimo e Caio Fernando Abreu, entre outros, estão entre as vítimas prediletas dessa nova mania. Diariamente, seus nomes são colocados debaixo de frases e textos que eles nunca pensaram.
 
Lembrei agora de um causo que me foi contado há algum tempo atrás. Em determinada igreja era costume entre os irmãos recitar versículos bíblicos enquanto o pastor se preparava para a celebração da Santa Ceia. Certa noite, um irmão recém convertido observava o culto, achou bonito aquele momento da liturgia e pensou:
 
- Eles recitam um ditado, acrescentam o nome de uma pessoa e em seguida falam dois números...
 
Sem jamais ter manuseado o livro sagrado, mas querendo convecer os outros de que seu versículo também estava lá, o sujeito se levantou, dizendo:
 
- Triste do bicho que o outro engole. Sebastião 3:5.
 
Para que se evite mancadas como essa, em respeito aos autores, o bom senso recomenda: Antes de falar da Bíblia ou de qualquer outro livro, leia o livro; e, antes de falar de um poeta, leia o poeta. Quando fizer citação de qualquer um deles, trate essa questão da autoria com fidelidade.

Leiamos. Os livros são as nossas pedras de amolar o ser!
  
Humberto de Lima

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Calça Fubenta


Pasta o cavalo, passa um menino,
Badala o sino, buzina a rural,
Vagueia o cachorro na estrada poeirenta,
E a calça fubenta pinga no varal.

Canta a cigarra, se aquieta o vento,
Não passa o tempo, a rede não balança,
Sem música e sem dança cochila a tarde,
E a calça fubenta seca no varal.

Olhos cerrados fogem do mormaço,
O chapéu de palha cobre a cara toda.
É de barriga cheia o sonho que vem,
Fazendo cair e bater com o sedém!
 
Foi só pesadelo; ninguém levou nada.
Bota, cinto, e o perfume de feira pra sentir na venta...
Já tirou da mala a camisa de listra,
Tudo combinando com a calça fubenta.

Ruma para o rancho de porta amarela;
Chama na janela e estremece todo.
- Oh de casa! - Oh de fora!
Depois o abraço, o cangote dela e no sofá da sala um papo gostoso...
 
A noite crescida já se fez mulher,
A égua o leva de volta pra casa.
E assim vai voltando, marcha compassada,
Pensando no casório, na lua de mel e imaginando os meninos soltos na calçada...

Amanhece o dia, toma providências,
Compra um paletó, manda encurtar as mangas;
Também engraxa as botas no Seu Genival,
Marca para um sábado a festança linda,
E e a calça fubenta volta pro varal.

Humberto de Lima

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