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"Quando a escola progride, tudo progride!". (Martinho Lutero).

quinta-feira, 29 de março de 2012

Agenda Velha

Abrir agenda velha é como olhar fotografias do eu que ficou para trás, naquele ano, naquela semana, naquele dia... Embora percebendo que permanece em nós muito do que antes em nós havia, já não somos os mesmos.
 
É como entrar no quarto dos troféus e rever alegrias agora empoeiradas.
 
É assistir o replay de lutas vencidas e perdidas. Em todas, mais ainda naquelas das quais saimos derrotados, a revelação exata de quem foi amigo.
 
É admitir que mesmo mais informado, manipulando átomos, modificando genes, viajando pela galáxia, o homem do século XXI envelhece e continua mortal. Não somos senhores do tempo!
 
Na agenda velha, o passado nos aparece como texto que não se pode editar, protegido apenas para leitura. Não dá para voltar no calendário! Para sempre registrados, os erros de nossa história acenam em direção ao aprendizado obtido e ao perdão que devemos liberar para outros e para nós mesmos. Já os acertos, estes nos convidam para celebrar na roda de amigos e nos levam a sorrir sozinhos durante o banho ou caminhando pelo estacionamento.

Sem querer impor qualquer coisa ao nosso presente, como uma amiga de longas datas, a agenda velha apenas faz sugestões. Sem poder garantir que o futuro será perfeito, ela simplesmente avisa que ele, o futuro, em muito depende de nós e já está sendo escrito agora.
 
Esta manhã, encontrei uma agenda velha entre meus livros. Enquanto nela mexia, lembrei de fatos e de pessoas.  Sorrí e também chorei. Depois a levei de volta para a estante porque o tempo não pára e viver é preciso.
 
Humberto de Lima

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