Tudo começou
quando ele se machucou trilhando pelo mato em cima de uma bicicleta. Testículos
intensamente doloridos o obrigaram pela primeira vez na vida a cogitar a
possibilidade de procurar um urologista.
Antes, porém,
consultou São Google e ficou sabendo sobre alguns exames que os médicos
geralmente pedem para homens adultos. Não pensou duas vezes; foi ao laboratório,
providenciou por conta própria ultra-som com Doppler colorido da próstata e dos
testículos e fez também o moderno PSA.
Armado com os três exames, ele correu para a clínica; e, mal o médico sentou para atendê-lo,
já foi botando os papeis sobre a mesa e dizendo:
- É o
seguinte, doutor... Trouxe esses exames para o senhor ver, mas acho que o meu
problema mesmo é somente o dolorido da pancada... Talvez algum remédio...
Quando ele
parou de falar, o médico calmamente fez uma série de perguntas, anotando tudo
em uma ficha. Ele respondia a tudo, preocupado com o fato de a consulta estar
demorando mais do que ele previra.
Em seguida, o
médico finalmente passou a olhar os exames que ele havia colocado sobre a mesa.
- Pelo que eu vi,
ta tudo normal, não é doutor?
Olhando para o
ultra-som da próstata, o médico explicou: - Este laudo deve ser interpretado em
conjunto com a dosagem sérica do PSA e o toque retal.
O cara
estremeceu; pois em roda de amigos já havia escutado absurdos sobre o assunto. Por
exemplo, ouvira um colega dizer que nesse tipo de exame, o camarada deveria
ficar nu, ajoelhado, com as mãos para cima e de costas para o médico,
respondendo a outra interminável serie de perguntas, enquanto vivia a angustiada
expectativa de sofrer o início da temida invasão a qualquer momento.
Já outro amigo, sócio dele no escritório de advocacia, o amedrontara dizendo que uma vez iniciado o exame propriamente dito, o mesmo teria uma duração de meia hora, periodo durante o qual o paciente teria que ficar o tempo todo mordendo uma toalia. Coisas do folclore masculino!
Já outro amigo, sócio dele no escritório de advocacia, o amedrontara dizendo que uma vez iniciado o exame propriamente dito, o mesmo teria uma duração de meia hora, periodo durante o qual o paciente teria que ficar o tempo todo mordendo uma toalia. Coisas do folclore masculino!
Parece que tinha chegado mesmo a sua hora! Lembrou de um trecho do livro Viagens com o Presidente, de Eduardo
Escolese e Leonêncio Norma, citado por Saulo Ramos em Código da Vida. Trata-se de um comentário de Lula para a então
Ministra do Meio Ambiente, sobre a inevitável transposição das águas do Rio São
Francisco:
“Marina, essa coisa de meio ambiente é igual
a um exame de próstata: não dá para ficar virgem toda a vida. Uma hora eles vão
ter que enfiar o dedo no cu da gente. Então, companheira, se é para enfiar, é
melhor que enfiem logo.”
- Esse exame
pode salvar uma vida! – Disse o médico, agora conversando com ele no ambiente de
exames do consultório.
Para seu
alivio, além de obter a confirmação de que sua próstata estava perfeita e que
deveria tomar mais cuidado ao andar de bicicleta, o exame foi rápido e logo ele
estava de novo sentado junto à mesa do médico.
- Doutor?
- Pode falar...
- Vou lhe
confessar uma coisa: Se fosse somente por causa do meu medo de morrer, eu não
teria feito esse exame não...
- E então, o
que lhe convenceu?
- A macheza,
doutor! Fiquei pensando: e se eu fugir do exame, e tiver algum problema sério que
me faça perder a minha macheza?
Humberto de
Lima

2 comentários:
O autor, além de grande amigo e companheiro de curso é também um orgulho para nossa literatura!
KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK!
Vou enviar agora mesmo o link de seu blog p minha professora de Teoria Literária. Se ela gostar vai ficar lendo também...
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