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"Quando a escola progride, tudo progride!". (Martinho Lutero).

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Tudo pela macheza!



Tudo começou quando ele se machucou trilhando pelo mato em cima de uma bicicleta. Testículos intensamente doloridos o obrigaram pela primeira vez na vida a cogitar a possibilidade de procurar um urologista.
 
Antes, porém, consultou São Google e ficou sabendo sobre alguns exames que os médicos geralmente pedem para homens adultos. Não pensou duas vezes; foi ao laboratório, providenciou por conta própria ultra-som com Doppler colorido da próstata e dos testículos e fez também o moderno PSA.
 
Armado com os três exames, ele correu para a clínica; e, mal o médico sentou para atendê-lo, já foi botando os papeis sobre a mesa e dizendo:
 
- É o seguinte, doutor... Trouxe esses exames para o senhor ver, mas acho que o meu problema mesmo é somente o dolorido da pancada... Talvez algum remédio...
 
Quando ele parou de falar, o médico calmamente fez uma série de perguntas, anotando tudo em uma ficha. Ele respondia a tudo, preocupado com o fato de a consulta estar demorando mais do que ele previra.
 
Em seguida, o médico finalmente passou a olhar os exames que ele havia colocado sobre a mesa.
 
- Pelo que eu vi, ta tudo normal, não é doutor?
 
Olhando para o ultra-som da próstata, o médico explicou: - Este laudo deve ser interpretado em conjunto com a dosagem sérica do PSA e o toque retal.
 
O cara estremeceu; pois em roda de amigos já havia escutado absurdos sobre o assunto. Por exemplo, ouvira um colega dizer que nesse tipo de exame, o camarada deveria ficar nu, ajoelhado, com as mãos para cima e de costas para o médico, respondendo a outra interminável serie de perguntas, enquanto vivia a angustiada expectativa de sofrer o início da temida invasão a qualquer momento. 
 
Já outro amigo, sócio dele na empresa, o amedrontara dizendo que uma vez iniciado o exame propriamente dito, o mesmo teria uma duração de meia hora, período durante o qual o paciente teria que ficar o tempo todo mordendo uma toalha para que seus gritos não incomodassem a vizinhança. Coisas do folclore masculino!
 
Parece que tinha chegado mesmo a sua hora! Lembrou de um trecho do livro Viagens com o Presidente, de Eduardo Escolese e Leonêncio Norma, citado por Saulo Ramos em Código da Vida. Trata-se de um comentário de Lula para a então Ministra do Meio Ambiente, sobre a inevitável transposição das águas do Rio São Francisco:
 
Marina, essa coisa de meio ambiente é igual a um exame de próstata: não dá para ficar virgem toda a vida. Uma hora eles vão ter que enfiar o dedo no cu da gente. Então, companheira, se é para enfiar, é melhor que enfiem logo.”
 
- Milhares de homens morrem de câncer todos os anos e esse exame pode salvar uma vida! – Disse o médico, agora conversando com ele no ambiente de exames do consultório.
 
Para seu alivio, além de obter a confirmação de que sua próstata estava perfeita e que deveria tomar mais cuidado ao andar de bicicleta, o exame foi rápido e logo ele estava de novo sentado junto à mesa do médico.
 
- Doutor?
 
- Pode falar...
 
- Vou lhe confessar uma coisa: Se fosse somente por causa do meu medo de falecer, eu não teria feito esse exame não...
 
- E então, o que lhe convenceu?
 
- A macheza, doutor! Lembrei de minha mulher Genoveva e fiquei pensando: e se eu fugir do exame, e se eu tiver algum problema sério que me faça perder a minha macheza?
 
Humberto de Lima

4 comentários:

Clauberta Meyer disse...

O autor, além de grande amigo e companheiro de curso é também um orgulho para nossa literatura!

Cris Oliveira disse...

KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK!
Vou enviar agora mesmo o link de seu blog p minha professora de Teoria Literária. Se ela gostar vai ficar lendo também...

Lidianny Souza disse...

kkkkk... Muito bom...

Andréia Navarro disse...

kkkkkkkkkkkkkkkkkkk!!! Adorei!!! Você como sempre com excelentes textos. Parabéns amigo!

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