Foi nos meus verdes anos quando eu morava entre a Preaca e o Beco do Aratu.
Já faz tanto tempo e nem sei mais por onde andam. Mas lembrei deles hoje e resolví registrar aqui mais esse acontecido de minha Paraíba.
Zezé, bom camarada, desde
cedo foi precoce em tudo. Trabalhador, ainda menino corria pra lá e pra cá
sempre trazendo um trocadinho pra casa (Note-se que Zezé, dependendo da pessoa,
pode ser apelido feminino ou masculino). Aconteceu que a pressa dele não se
limitava apenas à vontade de virar homem e ganhar dinheiro; ele também queria
casar, e na carreira!
Pois bem; sem escolher
muito, botou os olhos em Deda (Dependendo do lugar, Deda também pode ser
apelido usado para eles ou para elas) e ligeirinho como coceira de coelho, o cabra logo se viu emocional e legalmente casado.
Convém acrescentar aqui que naquela época os meninos da ilha costumavam andar quilômetros se equilibrando sobre os trilhos da linha férrea até à Feira de Bayeux, onde íamos comprar limão para passar debaixo das axilas e na região pubiana. Não sei de onde nem de quem surgiu a idéia, mas nós acreditávamos que untar essas partes do corpo com limão iria acelerar a nossa macheza!
Convém acrescentar aqui que naquela época os meninos da ilha costumavam andar quilômetros se equilibrando sobre os trilhos da linha férrea até à Feira de Bayeux, onde íamos comprar limão para passar debaixo das axilas e na região pubiana. Não sei de onde nem de quem surgiu a idéia, mas nós acreditávamos que untar essas partes do corpo com limão iria acelerar a nossa macheza!
Bem bonita, Deda e seu
corpão não deixavam Zezé dormir à noite; durante o dia, ele mal trabalhava
direito, sonhando acordado com a volta pra casa mais tarde. Aconteceu que onde
sobrava boniteza faltava alguns gramas de juízo; e foi aí que o pobre do Zezé
se lascou todinho!
De noite, na hora de
assistir TV, Deda se arrumava toda e também queria botar perfume. De olho nos
galãs da novela, justificava sua produção dizendo: - Vocês acham que a gente
deve aparecer toda desmantelada na frente desse povo bonito?
Não raro, os dois arengavam por causa disso.
Não raro, os dois arengavam por causa disso.
Até que um dia, contou-me o Irmão Cipas que (Mais um apelido, este menos comum), Zezé e Deda souberam que a prefeitura municipal tinha contratado atores globais para encenar a Paixão de Cristo em praça pública.
Foi um frenesi! Deda
começou a se arrumar pouco depois do almoço. Botava e tirava roupa, puxava o
cabelo pra cima e pra baixo, rodava na frente do espelho... Até que chegou a hora de
tomar o ônibus e seguir rumo ao centro da cidade e Cipas foi junto com eles.
Lá, uma multidão já se
aglomerava defronte do grande palco enquanto um Conjunto Musical tocava alguma
coisa antes do início do espetáculo.
Finalmente a
apresentação começou e foi fluindo com excelente qualidade, a ponto de emocionar
as pessoas que estavam por perto. Deda não era lá tão alta e já estava agoniada, sem
conseguir ver direito por causa do povo que estava à sua frente.
- Zezé?
- Diz Dedinha...
- Me deixa montar no teu
ombro...
E ele deixou.
Daqui a pouco, enquanto mulheres mais idosas silenciosamente se desmanchavam em lágrimas diante da cena
forte que lhes era mostrada pelo ator principal, Deda se escanchou melhor nos
ombros de Zezé, arregalou os olhos, botou as mãos em concha perto da boca e
gritou:
- Goooooostoso!
Zezé desmaiou, as velhinhas ficaram escandalizadas, Deda voltou pra casa feliz da vida e Cipas
nunca mais parou de me contar a mesma estória.
Humberto
de Lima

2 comentários:
Por acaso vi um "abraço da Paraíba" em um comentário seu no blog de carpinejar e curiosa que sou vim dar uma olhadinha no seu blog.
E que bom que eu vim!! hahahaha
Adorei "Aperreios de Zezé" tem o "sabor" da nossa terrinha!
Muito bom de ler essa sua Parahybanidade!!
Parabéns!
Um abraço.
kkkkk...Estórias do Cipas....sei não...Falta uma de Cibal agora!
"Viva o povo brasileiro" rsrrs
abraço!
"Carpe diem"
Max de Lima
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