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"Quando a escola progride, tudo progride!". (Martinho Lutero).

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Humberto de onde?


Parece que está cada vez mais difícil viver nesse nosso mundinho pós-humano. Digo mundinho porque depois do avião, do satélite, do telefone e da internet o globo parece ter mesmo virado uma aldeia. Isto é bom? Até seria se nossas fronteiras fossem bem protegidas e se nossos aeroportos tivessem a segurança que deveriam ter!
Digo pós-humano porque está cada vez mais difícil ser apenas pessoa física! É complicado viver sem ter que atrelar alguma marca ao sobrenome. Vamos ver? Ligue para alguma empresa, diga seu nome e informe o nome da pessoa com quem você gostaria de falar. Numa sociedade mais humanizada, isto bastaria para que imediatamente você fosse conectado com a outra pessoa. Mas não é o que acontece. Logo vem aquela clássica perguntinha: - Fulano de onde?
E aí? E se você estiver desempregado? Lembro que há alguns anos atrás alguém me segredou que fosse a uma grande fábrica localizada no distrito industrial de João Pessoa; pois estava para surgir uma oportunidade de trabalho lá.
Chegando lá, vi de longe uma placa escrita em letras garrafais que dizia: NÃO INSISTA, NÃO HÁ VAGAS! Um vigia de cara feia usou uma das mãos para abrir a janelinha da guarita enquanto com a outra segurava uma espingarda; e resmungou: - Diga!
- Sou Humberto de Lima e gostaria de falar com o gerente de recursos humanos.
- Se for vaga, a placa já está aí dizendo que não tem!
Respirei fundo e repeti calmamente: - Diga ao gerente de recursos humanos que Humberto de Lima está aqui e quer falar com ele.
Então o vigia indagou: Humberto de onde?
Falei sem titubear: - Da Universidade Federal.
O Brutus usou o interfone, a porteira se abriu e em segundos eu estava na sala de espera aguardando ser atendido.
Quando finalmente a secretária disse que eu poderia entrar, encontrei lá dentro um gerente sorridente, de pé ao lado do birô e com a mão já estendida para me receber.
Pus minha pasta sobre a mesa dele, saquei do bolso minha carteira de estudante e fui dizendo:
- Sou da UFPB, aluno do Curso de Administração e vim aqui para lhe entregar meu currículo e me candidatar à próxima vaga que está para surgir.
Ele olhou para mim, deu uma estrondosa risada, me pediu para sentar e disse: - Humberto, parabéns! Você foi o único de fora que conseguiu entrar nesta sala hoje!
- Então já tenho a vaga...
- Que vaga?
A partir desse ponto, ele me ofereceu água e cafezinho, mas desconversou. Disse que a abertura de uma nova vaga ainda estava em estudos e que me ligaria depois se necessário fosse.
Ele nunca ligou, mas saí de lá sabendo que dali pra frente, eu teria que ter jogo de cintura para lidar com situações parecidas.
Um dia desses, um amigo meu por descuido esqueceu o celular em casa e eu tive que ligar para a multinacional onde ele trabalha.
- Bom dia, aqui é Humberto de Lima e eu gostaria de falar com o Dr. Fulano...
- Humberto de onde?
- Daqui de casa mesmo – Respondi em tom amistoso.
A telefonista sorriu do outro lado e passou a ligação para o meu amigo.
Humberto de Lima

Um comentário:

Anônimo disse...

Como sempre, um excelente e agradável texto, amigo Humberto!
Um abraço!

Diego Navarro.

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