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"Quando a escola progride, tudo progride!". (Martinho Lutero).

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Penso, logo sou livre!



Já vai longe o tempo quando eu acreditei em super-homens e quis ser um deles. Agora vejo que eles não eram tão super o quanto eu imaginava; de fato, por trás da capa de onipotência se escondia a arrogância própria daqueles que mal conseguem ser simplesmente humanos.

Hoje procuro manter distância dos que se proclamam possuidores da suprema  infalibilidade (atributo que todos os papas provaram não existir nos humanos).
 
Distante dos modelos de perfeição expostos nas vitrines midiáticas do mundo religioso, eu prefiro a companhia de quem já viveu abertamente a realidade dos verbos cair e levantar.
 
Procuro aconselhar-me com aqueles que não escondem de mim o fato de serem pós-graduados na escola dos erros e acertos, com todas as quedas, lições, lágrimas e alegrias que integram seus históricos de vida.
 
Jesus tinha mesmo razão quando dizia: “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”. Parafraseando o filósofo, penso e logo sou livre! É que agora, com os sentidos da alma mais aguçados, consigo distinguir melhor as diferenças entre Deus e o que dele me disseram. 
 
Liberto das correntes do dogmatismo, sou visto por alguns como um incrédulo; mas deslumbrado com a simplicidade da fé, prossigo olhando pra cima.
 
Humberto de Lima

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Reticências


Em lugar do que poderia ser dito e não foi,
E em nome de tudo o que ficou pra depois,
Falaram elas!

Muitas vezes circunstanciais,
Quando as palavras foram amordaçadas;
Pelo homem calado, gritaram elas!

Quando aguardar pareceu melhor,
E a ansiedade se rendeu à calma:
- Espera! – Ao pé do ouvido sussurraram elas!

Juro que um dia as deixarei bem livres,
Lhes darei folga e férias de meus textos;
E escrevendo...
Humberto de Lima

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Humberto de onde?


Parece que está cada vez mais difícil viver nesse nosso mundinho pós-humano. Digo mundinho porque depois do avião, do satélite, do telefone e da internet o globo parece ter mesmo virado uma aldeia. Isto é bom? Até seria se nossas fronteiras fossem bem protegidas e se nossos aeroportos tivessem a segurança que deveriam ter!
Digo pós-humano porque está cada vez mais difícil ser apenas pessoa física! É complicado viver sem ter que atrelar alguma marca ao sobrenome. Vamos ver? Ligue para alguma empresa, diga seu nome e informe o nome da pessoa com quem você gostaria de falar. Numa sociedade mais humanizada, isto bastaria para que imediatamente você fosse conectado com a outra pessoa. Mas não é o que acontece. Logo vem aquela clássica perguntinha: - Fulano de onde?
E aí? E se você estiver desempregado? Lembro que há alguns anos atrás alguém me segredou que fosse a uma grande fábrica localizada no distrito industrial de João Pessoa; pois estava para surgir uma oportunidade de trabalho lá.
Chegando lá, vi de longe uma placa escrita em letras garrafais que dizia: NÃO INSISTA, NÃO HÁ VAGAS! Um vigia de cara feia usou uma das mãos para abrir a janelinha da guarita enquanto com a outra segurava uma espingarda; e resmungou: - Diga!
- Sou Humberto de Lima e gostaria de falar com o gerente de recursos humanos.
- Se for vaga, a placa já está aí dizendo que não tem!
Respirei fundo e repeti calmamente: - Diga ao gerente de recursos humanos que Humberto de Lima está aqui e quer falar com ele.
Então o vigia indagou: Humberto de onde?
Falei sem titubear: - Da Universidade Federal.
O Brutus usou o interfone, a porteira se abriu e em segundos eu estava na sala de espera aguardando ser atendido.
Quando finalmente a secretária disse que eu poderia entrar, encontrei lá dentro um gerente sorridente, de pé ao lado do birô e com a mão já estendida para me receber.
Pus minha pasta sobre a mesa dele, saquei do bolso minha carteira de estudante e fui dizendo:
- Sou da UFPB, aluno do Curso de Administração e vim aqui para lhe entregar meu currículo e me candidatar à próxima vaga que está para surgir.
Ele olhou para mim, deu uma estrondosa risada, me pediu para sentar e disse: - Humberto, parabéns! Você foi o único de fora que conseguiu entrar nesta sala hoje!
- Então já tenho a vaga...
- Que vaga?
A partir desse ponto, ele me ofereceu água e cafezinho, mas desconversou. Disse que a abertura de uma nova vaga ainda estava em estudos e que me ligaria depois se necessário fosse.
Ele nunca ligou, mas saí de lá sabendo que dali pra frente, eu teria que ter jogo de cintura para lidar com situações parecidas.
Um dia desses, um amigo meu por descuido esqueceu o celular em casa e eu tive que ligar para a multinacional onde ele trabalha.
- Bom dia, aqui é Humberto de Lima e eu gostaria de falar com o Dr. Fulano...
- Humberto de onde?
- Daqui de casa mesmo – Respondi em tom amistoso.
A telefonista sorriu do outro lado e passou a ligação para o meu amigo.
Humberto de Lima

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Good Bye beautiful girl


You came into my bus,
And without saying a word, 
Your silence told us you were there.
Everybody turned to you!
But…

You smiled shyly and I smiled back,
And as I tried to dive again into my thoughts,
You kept staring at me all the time.
A fascinating woman was now fascinated!
But…

Your eyes said that you wouldn't like to get off,
Not without getting a chance of seeing my cell number…
Another guy wouldn’t let you go!
But...

Good Bye, beautiful girl!
You’re not her,
You're not the woman for whom my heart beats...

Humberto de Lima

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Fim de férias


Férias é tempo de ver amigos como Paulo Dantas, João Filho, João Neto, Ricardo Nascimento, Inaldo Camelo Filho, Guilardo Tavares, Alexandre Azevedo e Xico Lima... Não sei por onde anda Bob Coller nem tenho notícias de Fábio Delgado!
 
Dormir na rede ouvindo o barulho do mar, correr na praia, ler Rubem Alves, ouvir Lionel Richie, viajar com meu irmão Júnior, colocar em dia a conversa com a família, perambular pela cidade sem ter que ficar olhando para o relógio a todo instante...E como eu gosto dessa parte! Sair simplesmente por sair, para ver como andam as coisas na capital onde o sol nasce primeiro.
 
No centro, dez anos depois, circulo anonimamente em meio à multidão de desconhecidos. Os bairros da orla agora crescem pra cima e as ruas estão bem mais limpas e organizadas. Sem bajulações, eu que sou eleitor na Serra do Bodopitá, dou parabéns ao prefeito de João Pessoa! 
 
Entre os encontros casuais, satisfação em ver Zé Pezão, cozinheiro dos tempos em que eu trabalhava com hotelaria, além de Tamami Saito e Fabiane Balbino, ex-colegas de aula no curso de administração da UFPB. Fabiane Balbino é artista plástica de bom gosto; é uma delícia contemplar os quadros de seu ateliê! 
 
Insólito mesmo foi sair do banco e de repente sentir uma mão pesada me segurando pelo ombro, para em seguida ouvir uma voz que dizia: - Fulano morreu! Foi diabetes!
Em frações de segundo experimentei o medo de um possível assalto, fiquei sabendo que um bom colega tinha ido embora (Que Deus o tenha!) e ainda reconheci o rosto do dono da mão, um camarada que costumava pegar o ônibus junto comigo nos anos noventa.
 
Por falar em ônibus, a frota da Cidade Verde continua sendo uma das mais novas do país, com direito a monitor de TV mostrando o resumo das principais novelas e noticiários. Observei que com exceção da moça na cadeira da frente, as pessoas não se notam e mal olham pela janela, pois quem não está vidrado na telinha do transporte está mexendo no celular.
A moça? Enquanto o veículo parado aguarda pelo andar da fila, ela lança um demorado olhar para o motel ao lado e fecha os olhos sorrindo um sorriso acompanhado de longo suspiro... Boas memórias ou apenas fantasias de quem sonha acordado? Somente ela o sabe! 

A mim, contentou-me estar lá vendo, vivendo e registrando estes e outros momentos da cidade que nasceu na beira do rio.
Humberto de Lima

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