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"Quando a escola progride, tudo progride!". (Martinho Lutero).

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Sobre política, eleições e voto.

Você ainda não sabe em quem votar nestas eleições? Sinta-se uma criatura perfeitamente normal; pois, de fato, quem deseja exercer o seu direito de sufrágio pensando no bem estar geral da nação, sabe que esta é uma tarefa difícil. 

Ao contrário da política municipal, em que prefeitos e vereadores estão mais próximos de seus eleitores, os deputados estaduais, deputados federais, senadores, governadores e o presidente da república residem e trabalham em mundos que parecem fora do alcance do cidadão anônimo. Desta forma, a distância geográfica acaba por dificultar não apenas o acesso, mas também, o acompanhamento e fiscalização que todos nós deveríamos exercer sobre  aqueles que elegemos para legislar e governar em nosso nome. 

A distância temporal também dificulta as coisas. Para que tenhamos uma idéia do que estou dizendo, procure saber entre dez amigos, quantos lembram a quem deram seus votos para deputado e senador nas últimas eleições gerais, realizadas há quatro anos. Fico me perguntando: Por que um senador brasileiro é eleito para um mandato de oito longos anos ao invés de quatro?

Por sua vez, o analfabetismo, juntamente com o analfabetismo funcional e o baixo nível de escolaridade, ainda atingem grande parcela de nossa população, contribuindo para o agravamento da pobreza e perpetuando a ingenuidade de um povo que se deixa facilmente enganar pela habilidade de marqueteiros especialistas em mostrar demônios como se fossem anjos e vice-versa. 

Nessa passarela, levam vantagem aqueles que fazem do Bolsa Família não apenas uma esmola institucionalizada, mas também moeda de compra antecipada dos votos de milhões de miseráveis em toda a nação.

Por causa disso, já pensei em defender o fim do voto obrigatório; mas, depois de refletir melhor sobre o tema, cheguei à conclusão de que, como nação, ainda não temos maturidade suficiente para isto. Como bem disse o Professor Harrison Targino, tornar o voto facultativo para todos provocaria uma grande evasão de eleitores; evasão esta que acabaria por fragilizar os princípios da representatividade e legitimidade, que só se fazem percebidos mediante a participação da maioria.

Neste exato momento, embora ainda não tenha os nomes de todos os que farão parte da minha lista de escolhidos, tenho convicções bem arraigadas e claras sobre aqueles em quem não votarei:

Eu não voto em candidatos que tenham ficha suja, atestada por processos já transitados em julgado.

Eu não voto em candidatos que defendem a descriminalização do aborto.

Eu não voto em candidatos que em nome de uma cultura e de uma antropologia igualmente insensíveis, defendem a idéia de que os povos indígenas devem continuar enterrando vivas crianças nascidas com alguma deformidade. 

Eu não voto em candidatos cujos projetos visam cercear nossa liberdade de expressão e informação, pondo obstáculos à existência de uma imprensa livre.

Eu não voto em candidatos que preguem a união entre Igreja e Estado, assim como também não voto naqueles que tentam amordaçar padres e pastores, impedindo-os de divulgar a fé e exercer a liberdade de culto.

Eu não voto em candidatos que mantenham ligações perigosas com ditadores e ditaduras de perto e de longe.

Finalmente, eu não voto nulo; pois acredito que diante da falta da opção excelente, ainda posso escolher entre o bom, o regular, o ruim e o péssimo. 

Creio também que a ausência de gente boa não implica necessariamente na inexistência de gente boa. Precisamos estimular pessoas de bem para que participem ativamente da vida política de nosso país, desfazendo a idéia que muitos de nós ajudamos a espalhar - a idéia de que política é coisa do diabo, negócio de gente ruim. 

E se você está entre aqueles que já não suportam conversar sobre esse tipo de assunto, agradeço por ter chegado até aqui em sua leitura e aproveito o ensejo para lhe encorajar, citando a frase de Arnold Toynbee, que diz: “O maior castigo para aqueles que não se interessam por política é que serão governados pelos que se interessam”. 

Humberto de Lima

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