" "

"Tudo que você tiver que ser, seja bom!". (Abraham Lincoln).

sábado, 25 de setembro de 2010

Advertências à Terra Brasil


Tiveste berço bom quando menina; e, quando cresceste, cresceram contigo tuas terras ao ponto de te tornares a maior desse hemisfério sul.
 
Privilegiada que foste, ganhaste solo fértil, muitas fontes de água, flora inigualável, fauna exuberante, minas diversas te esperavam debaixo de teu chão.
 
Foste poupada do frio intenso que castigava os pólos e ficaste longe dos desertos que abrasam outros povos. Até mesmo os terremotos, tornados e vulcões se mantiveram distantes de ti!
 
Na tua infância e juventude foste explorada por gente de além mar; mas te rebelaste, te libertaste e soltaste o teu grito. Como gostei de ler aquilo!
 
Confesso que fiquei feliz quando ouvi que deixaste de ser colônia. Sonhei e pensei que uma vez emancipada e feita mãe, tu cuidarias bem de teus filhos, dos filhos de teus filhos e dos netos  de teus netos...
 
Mas o tempo passou e tu deixaste de ser apenas livre para ser também inconseqüente e dissimulada. Aprendeste a esconder e disfarçar teus erros com os cosméticos dos marqueteiros e com a astúcia dos que manipulam estatísticas.
 
Eis que já se voltam contra ti todas as conseqüências de tua maternidade irresponsável. Teus filhos não se respeitam, não te respeitam e nem respeitam o trabalho de teus legisladores.
 
Como é triste te ver elaborando normas para dizer aos teus homens que é proibido fazer xixi na praça! Não deveriam ter aprendido enquanto crianças? Tiveste que promulgar uma lei de responsabilidade fiscal para dizer aos teus administradores que eles estão impedidos de roubar a coisa pública; e, na tentativa de frear a gula de teus partidos políticos e de teus eleitores, fizeste a Lei da Ficha Limpa. Eles porém, seguem em frente, burlando como podem! 

Já bem dizia o velho filósofo: - Eduque os meninos e você não precisará punir os homens!

Em verdade, em verdade te digo: És fraca quando ensinas  e frouxa quando punes.

Por isso, antes que venha sobre ti o futuro sombrio que tu mesma semeaste, aconselho-te que te arrependas de teus pecados!
 
Que te arrependas de não teres tido o devido cuidado com as famílias, onde tudo começa. E que o faças a partir de agora.
 
Que te arrependas de tua omissão estatal. E que comeces agora mesmo a tratar saúde, educação, segurança, geração de emprego e combate à corrupção com a seriedade que lhes é devida.
 
Que te arrependas de tua religiosidade de consumo. E que teus cristãos freqüentem as igrejas não apenas em busca do que Deus tem pra dar, mas, acima de tudo, para perguntar o que Ele tem a dizer sobre equidade e justiça.
 
E, finalmente, espero que depois não chores, dizendo que não te foi enviado profeta... 

Madrugada de 25 de setembro de 2010. 

Humberto de Lima

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Manhã de Segunda.



O homem cansado dormiu e acordou menino;
Quer conversar com o ócio,
Quer paquerar a solitude.
Mas numa porta o galo pede milho,
E na outra porta o caminhão vem buscar o lixo.

O homem-menino acordado precisa de um tempo;
Necessita de um espaço pra ser só menino.
Mas quase tudo o tempo todo lhe diz: - Também és homem,
Com todos os limites que um homem tem!

Então, o homem-menino acordado suspira:
- Posso ter asas e outra vez brincar nos sonhos de ontem à noite?
E o vento cúmplice cicia em seus ouvidos:
- Sim, tu és poeta!
 
Humberto de Lima


segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Encontro Perfeito


É preciso que haja um tempo intensamente desejado e acertado para que cada segundo seja saboreado sem que se tenha de pensar naquele que o antecedeu ou naquele que ainda está para chegar. Não deve haver espaço para a pressa!
 
Como uma pequena ilha dentro do mar distante, o ambiente deve ser bem reservado para que nem conhecidos nem estranhos perturbem a privacidade necessária.
 
A luminosidade deve ser regulada de acordo com o momento, devendo-se evitar os extremos da escuridão total e da exposição direta ao sol do meio dia.
 
A trilha sonora poderá ser uma canção suave, uma música marcante, o barulho do mar, o ciciar do vento ou simplesmente o som da respiração...
 
O corpo e a mente devem estar descansados e cem por cento concentrados no ritual; outros pensamentos devem ficar do lado de fora da porta.
 
Do início ao clímax, a intimidade deve ser total, fazendo sonhos virar realidade, sem medos, sem censura.
 
Ao final, é permitida a contemplação, o relaxamento e o sono, próprios daqueles que amam. 

É assim que escritor e idéia se encontram; é assim que os bons textos nascem!
 
Humberto de Lima

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Sobre política, eleições e voto.

Você ainda não sabe em quem votar nestas eleições? Sinta-se uma criatura perfeitamente normal; pois, de fato, quem deseja exercer o seu direito de sufrágio pensando no bem estar geral da nação, sabe que esta é uma tarefa difícil. 

Ao contrário da política municipal, em que prefeitos e vereadores estão mais próximos de seus eleitores, os deputados estaduais, deputados federais, senadores, governadores e o presidente da república residem e trabalham em mundos que parecem fora do alcance do cidadão anônimo. Desta forma, a distância geográfica acaba por dificultar não apenas o acesso, mas também, o acompanhamento e fiscalização que todos nós deveríamos exercer sobre  aqueles que elegemos para legislar e governar em nosso nome. 

A distância temporal também dificulta as coisas. Para que tenhamos uma idéia do que estou dizendo, procure saber entre dez amigos, quantos lembram a quem deram seus votos para deputado e senador nas últimas eleições gerais, realizadas há quatro anos. Fico me perguntando: Por que um senador brasileiro é eleito para um mandato de oito longos anos ao invés de quatro?

Por sua vez, o analfabetismo, juntamente com o analfabetismo funcional e o baixo nível de escolaridade, ainda atingem grande parcela de nossa população, contribuindo para o agravamento da pobreza e perpetuando a ingenuidade de um povo que se deixa facilmente enganar pela habilidade de marqueteiros especialistas em mostrar demônios como se fossem anjos e vice-versa. 

Nessa passarela, levam vantagem aqueles que fazem do Bolsa Família não apenas uma esmola institucionalizada, mas também moeda de compra antecipada dos votos de milhões de miseráveis em toda a nação.

Por causa disso, já pensei em defender o fim do voto obrigatório; mas, depois de refletir melhor sobre o tema, cheguei à conclusão de que, como nação, ainda não temos maturidade suficiente para isto. Como bem disse o Professor Harrison Targino, tornar o voto facultativo para todos provocaria uma grande evasão de eleitores; evasão esta que acabaria por fragilizar os princípios da representatividade e legitimidade, que só se fazem percebidos mediante a participação da maioria.

Neste exato momento, embora ainda não tenha os nomes de todos os que farão parte da minha lista de escolhidos, tenho convicções bem arraigadas e claras sobre aqueles em quem não votarei:

Eu não voto em candidatos que tenham ficha suja, atestada por processos já transitados em julgado.

Eu não voto em candidatos que defendem a descriminalização do aborto.

Eu não voto em candidatos que em nome de uma cultura e de uma antropologia igualmente insensíveis, defendem a idéia de que os povos indígenas devem continuar enterrando vivas crianças nascidas com alguma deformidade. 

Eu não voto em candidatos cujos projetos visam cercear nossa liberdade de expressão e informação, pondo obstáculos à existência de uma imprensa livre.

Eu não voto em candidatos que preguem a união entre Igreja e Estado, assim como também não voto naqueles que tentam amordaçar padres e pastores, impedindo-os de divulgar a fé e exercer a liberdade de culto.

Eu não voto em candidatos que mantenham ligações perigosas com ditadores e ditaduras de perto e de longe.

Finalmente, eu não voto nulo; pois acredito que diante da falta da opção excelente, ainda posso escolher entre o bom, o regular, o ruim e o péssimo. 

Creio também que a ausência de gente boa não implica necessariamente na inexistência de gente boa. Precisamos estimular pessoas de bem para que participem ativamente da vida política de nosso país, desfazendo a idéia que muitos de nós ajudamos a espalhar - a idéia de que política é coisa do diabo, negócio de gente ruim. 

E se você está entre aqueles que já não suportam conversar sobre esse tipo de assunto, agradeço por ter chegado até aqui em sua leitura e aproveito o ensejo para lhe encorajar, citando a frase de Arnold Toynbee, que diz: “O maior castigo para aqueles que não se interessam por política é que serão governados pelos que se interessam”. 

Humberto de Lima

Mais lidas na semana