Analfabetismo, violência
doméstica, desemprego, fome, delinqüência infanto-juvenil, favelização... Apesar das propagandas oficiais tentarem
passar para nós uma imagem edênica do país, não precisamos ir muito longe de
casa para ver que estes vocábulos ainda fazem parte do dia a dia de milhões de
brasileiros.
É claro que os multifacetados
problemas sociais que nos atingem do Oiapoque ao Chuí têm diversas origens;
mas, sem querer ser simplista em minha abordagem, devo dizer que eles são efeitos
de três causas maiores, sobre as quais discorro a seguir:
1.
Enfraquecimento das famílias – Converse com um menor
infrator e você logo descobrirá que ele geralmente vem de uma família marcada
por violência doméstica e também pela absoluta falta de valores necessários a
uma convivência digna dentro e fora de casa. Devido à ausência (ou presença
abusiva) dos pais, estas crianças crescem sem limites, sem noção de autoridade.
Em lares mais abastados, onde cada um tem seu quarto, sua TV, seu computador e seus games, a realidade não é muito diferente; pois os pequenos vivem em um contexto dentro do qual não se discute conceitos de certo e errado nem sobra tempo para reuniões familiares.
Em lares mais abastados, onde cada um tem seu quarto, sua TV, seu computador e seus games, a realidade não é muito diferente; pois os pequenos vivem em um contexto dentro do qual não se discute conceitos de certo e errado nem sobra tempo para reuniões familiares.
Além disso, pais que vivem longe
dos filhos por motivo de trabalho ou de divórcio acabam por querer compensar a
distância de forma equivocada, dizendo sempre sim às exigências destes,
levando-os a pensar que podem tudo.
Doutrinados apenas pela nem
sempre sadia programação televisiva, esses garotos e garotas são como
bombas-relógios, programadas para explodir mais tarde em forma de adultos que
não saberão respeitar o direito dos outros.
2.
Estado ineficiente – Somos um povo com mais de quinhentos anos de
história, vasta extensão de terras agricultáveis, água em quantidade
satisfatória, rico em recursos minerais, e, mesmo assim, as desigualdades
sociais continuam acentuadas.
O Estado tem falhado em sua
obrigação de oferecer serviços públicos de boa qualidade nas áreas de saúde,
segurança e educação. Motivo? Esse mesmo Estado, muitas vezes, é feito
por pessoas descomprometidas e corruptas, escolhidas por eleitores igualmente
descomprometidos e corruptos.
Se por um lado não precisamos gritar
o grito dos que vivem debaixo de ditaduras, por outro lado, precisamos admitir
que a mãe gentil necessita urgentemente de eleitores sérios!
3.
Religiosidade sem Deus – Somos um país de Estado laico e ao mesmo
tempo livre, diversificado e tolerante no que diz respeito às questões de fé.
Aqui, faço uma pausa em minha argumentação para dizer que esta é uma das
melhores coisas que pode acontecer a um povo. As liberdades de expressão e de culto são
troféus que para sempre devem ser guardados e protegidos pelos nossos
legisladores!
Quando falo de religiosidade
sem Deus, estou querendo dizer que ver igrejas apinhadas de gente nos finais de
semana, nem sempre significa dizer que Deus está sendo buscado em sua essência.
Muita gente vai à missa ou ao
culto somente para buscar a solução de problemas do dia a dia. Dessa forma,
suas orações parecem mais uma extensa lista de compras, durante as quais pedem
a benção de Deus, sem, entretanto, demonstrar interesse pelo Deus da benção.
Dentro desse tipo de
religiosidade, não há procura por questões outras. Como Deus gostaria que eu me
relacionasse com Ele, comigo mesmo, com a natureza e com meu próximo?
Sem a busca dessas respostas,
estamos edificando sobre areia. Assim, a casa cai e fica difícil fazer a diferença necessária para que tenhamos um Brasil melhor...
Humberto de Lima

1 comentários:
Realmente precisamos de eleitores sérios e que saibam diagnosticar a realidade bem assim como vc o fez... Parabéns!
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