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"Eu penso que patriotismo é como caridade - Começa em casa!". (Henry James).

domingo, 29 de agosto de 2010

Chico Soledad



Días de silencio se han pasado,
Semanas de distancia se han añadido,
Secretos de ayer se hacen lejanos, 
Y por la estrada siguen pies solitos…
Buenos recuerdos vuelan tan distante, 
Después de años que parecen siglos, 
Ya no hay razón para una llamada, 
Y llorar por ella no tiene sentido.
Hasta que una fiesta tiene multitud, 
En la multitud, él está perdido, 
Pero todo cambia con una mirada. 
- ¡Los ojos no mienten, Chico!
¿Hasta cuando Chico, esperarás por ella? 
¿Hasta cuando ella esperará por ti? 
Si hablan los ojos, ha hablado el alma, 
¡Ama tu Maria, ama hoy mismo, si!
Humberto de Lima

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Brasil - Diagnóstico de um povo!



Analfabetismo, violência doméstica, desemprego, fome, delinqüência infanto-juvenil, favelização...  Apesar das propagandas oficiais tentarem passar para nós uma imagem edênica do país, não precisamos ir muito longe de casa para ver que estes vocábulos ainda fazem parte do dia a dia de milhões de brasileiros.
É claro que os multifacetados problemas sociais que nos atingem do Oiapoque ao Chuí têm diversas origens; mas, sem querer ser simplista em minha abordagem, devo dizer que eles são efeitos de três causas maiores, sobre as quais discorro a seguir:
1. Enfraquecimento das famílias – Converse com um menor infrator e você logo descobrirá que ele geralmente vem de uma família marcada por violência doméstica e também pela absoluta falta de valores necessários a uma convivência digna dentro e fora de casa. Devido à ausência (ou presença abusiva) dos pais, estas crianças crescem sem limites, sem noção de autoridade. 

Em lares mais abastados, onde cada um tem seu quarto, sua TV, seu computador, seu smartphone e seus games, a realidade não é muito diferente; pois os pequenos vivem em um contexto dentro do qual não se discute com profundidade os conceitos de certo e errado nem sobra tempo para reuniões familiares.
Além disso, pais que vivem longe dos filhos por motivo de trabalho ou de divórcio acabam por querer compensar a distância de forma equivocada, dizendo sempre sim às exigências destes, levando-os a pensar que podem tudo.
Doutrinados apenas pela nem sempre sadia programação televisiva, esses garotos e garotas são como bombas-relógios, programadas para explodir mais tarde em forma de adultos que não saberão respeitar o direito dos outros.
2. Estado ineficiente – Somos um povo com mais de quinhentos anos de história, vasta extensão de terras agricultáveis, água em quantidade ainda satisfatória, rico em recursos minerais, e, mesmo assim, as desigualdades sociais continuam acentuadas.
O Estado tem falhado em sua obrigação de oferecer serviços públicos de boa qualidade nas áreas de saúde, segurança e educação. Motivo? Esse mesmo Estado, muitas vezes, é representado e gerido por pessoas descomprometidas e corruptas, escolhidas por eleitores igualmente descomprometidos e corruptos.
Se por um lado não precisamos gritar o grito dos que vivem debaixo de ditaduras, por outro lado, precisamos admitir que nossa mãe gentil necessita urgentemente de políticos sérios e de eleitores mais exigentes.
3. Religiosidade sem Deus – Somos um país de Estado laico e ao mesmo tempo livre, diversificado e tolerante no que diz respeito às questões de fé. Aqui, faço uma pausa em minha argumentação para dizer que esta é uma das melhores coisas que pode acontecer a um povo.  As liberdades de expressão e de culto são troféus que para sempre devem ser guardados e protegidos pelos nossos legisladores!
Quando falo de religiosidade sem Deus, estou querendo dizer que ver igrejas apinhadas de gente nos finais de semana, nem sempre significa dizer que Deus está sendo buscado em sua essência.
Muita gente vai à missa ou ao culto somente para buscar a solução de problemas do dia a dia. Dessa forma, suas orações parecem mais uma extensa lista de compras, durante as quais pedem a benção de Deus, sem, entretanto, demonstrar interesse pelo Deus da benção.
Dentro desse tipo de religiosidade, não há procura por questões outras. Como Deus gostaria que eu me relacionasse com Ele, comigo mesmo, com a natureza e com meu próximo?
Sem a busca dessas respostas, estamos edificando sobre areia. Assim, a casa cai e fica difícil fazer a diferença necessária para que tenhamos um Brasil melhor...
Humberto de Lima

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Midnight Questionings


During the day, disobedient eyes keep gazing; 
During the night, rebel dreams bring pictures: 
Images of a past that can’t be present, 
Photos of a future that may never come…
The straight line now leads to a crossroad; 
Choices and decisions wait to be made. 
There’s no way back if one turns right, 
And in the left side, the result is just the same.
Should a man tie his dreamer heart? 
Or should release it in a wild way? 
Between yesterday and tomorrow, 
His hardest question cries out saying:
Where are you that I may hear your voice? 
Now what?  
What was left for this moment named today? 
Midnight, silence...
Humberto de Lima

domingo, 1 de agosto de 2010

Classe Média - Entre o lixão e o luxo


Ando espremido entre dois mundos bem próximos e ao mesmo tempo bem diferentes um do outro.
Estes dois mundos por entre os quais passa o bequinho estreito daqueles que se encaixam em meu perfil, são bem distintos um do outro porque não há como deixar de perceber o contraste entre a qualidade de vida dos que nadam em riqueza e a qualidade de vida dos que estão abaixo da linha da pobreza. Estão bem próximos, porque personagens dos dois lados se cruzam todos os dias nos sinais de trânsito; uns do lado de dentro do carro, e os outros, descalços do lado de fora.
Às vezes, observo os pedintes que vagueiam pelas ruas das cidades. Como mortos-vivos entorpecidos pela desnutrição, sem protestos, se arrastam em direção à próxima esmola...
Também vejo os que sentam no alto da pirâmide social. Lá estão herdeiros de riquezas advindas de antigas capitanias hereditárias, sesmarias, trabalho escravo, trabalho semi-escravo e muita corrupção.  Vivendo luxuosamente, esta casta segue insensível a tudo o que de ruim acontece mais em baixo.
Então, lembro dos governantes e dos representantes que foram legal e democraticamente eleitos para diminuir as diferenças entre esses dois mundos. Mas a maioria deles, mesmo daqueles que um dia viveram próximo aos descamisados dos lixões, já se deixou contaminar pelos vírus palacianos da indiferença.
Sei que sofrem os miseráveis, mas me atrevo a dizer que dentro da atual estrutura sócio-econômica brasileira, em alguns aspectos, são mais penalizados os que fazem parte da classe média.
Somos mais penalizados porque, como diz a canção cantada pelos Titãs, "a gente não quer só comida...". Cônscios de necessidades outras, somos também pressionados  por obrigações que nos são impostas por uma sociedade que valoriza mais o ter do que o ser.
Somos mais penalizados porque ao contrário daqueles que nada ganham e  por isso não podem contribuir, temos nossos salários achatados pelo rolo compressor dos tributos diretos e indiretos.
Somos mais penalizados porque descobrimos que a escola pública não é boa para nossos filhos, e, temos que fazer das tripas coração, para mantê-los na escola particular.
Somos mais penalizados porque não dá para sair a pé; temos que pagar caro pelo carro popular ou pagar caro pelo ônibus. Além disso, muitos de nós precisamos de terno, gravata e celular para sermos aceitos no mercado de trabalho.
O maior de todos os problemas, porém, é que vivendo essa vida fronteiriça entre riqueza e pobreza, estando mais bem informados sobre o estado de coisas que nos cerca, e tendo maior facilidade de comunicação com os dois mundos aqui expostos, muitos de nós resolvem fazer a coisa errada.
É chegada a temporada em que membros da classe média deveriam deixar seus apartamentos e visitar os barracos de favelas para dar lições de cidadania. Mas, infelizmente, muitos irão até lá a serviço de políticos corruptos, para comprar votos.
Esquecem que estes políticos para os quais trabalham são os mesmos que há mais de vinte anos insistem em não aprovar a lei complementar sugerida pelo artigo 153, Inciso VII da Constituição Federal, que prevê cobrança de impostos sobre grandes fortunas.
A classe média é como uma mulher que chora porque apanha do marido, mas não chama a polícia nem se divorcia.
Humberto de Lima

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