" "

"Quando a escola progride, tudo progride!". (Martinho Lutero).

terça-feira, 20 de julho de 2010

Profissão: Cabo Eleitoral



Quando o governador assumiu, logo tratou de exonerar todos os desafetos que ocupavam cargos de confiança, substituindo-os por gente sua; o que me parece lógico e necessário.

Bajulador número 01 do ex-mandatário, Simão Boquinha foi um dos primeiros a ser mandado de volta para o seu salário mínimo, lá na periferia da capital. Estrebuchou, xingou, amaldiçoou e berrou aos quatro ventos que jamais faria qualquer acordo com o “satanás” que acabara de assumir o poder executivo. 

Depois de ter queimado as parcas reservas que haviam sobrevivido ao seu estilo de vida consumista, Simão foi pouco a pouco perdendo a pose e se desfazendo de alguns bens. Primeiro, teve que devolver a super casa ao banco, tendo que voltar para aquele bairro cuja poeira ele tinha batido dos pés há alguns anos atrás. 

Em seguida, como numa avalanche que começa pequenininha e vai crescendo rápida e assustadoramente, teve que trocar o carrão por um carrinho, usando a diferença para ir pagando as despesas domésticas...

Avesso aos estudos, tendo dedicado seus melhores anos ao mundo da politicagem, Simão finalmente chegou ao fundo do poço. Dessa forma, os próximos dois anos o deixariam em situação de quase mendicância, sobrevivendo graças aos esforços filantrópicos de alguns parentes.

Até que, para sua salvação ou perdição (a análise depende muito do olhar do leitor), o deputado estadual de Simão resolveu deixar a oposição e mudar de lado por todas as razões nada doutrinárias que geralmente caracterizam este tipo de migração.


A princípio, Simão fingiu ser difícil, mas ficou apenas no ensaio. O deputado mandou chamá-lo e ele atendeu correndo, como um cachorrinho faminto a quem mostram um osso com muita carne. Quando saiu  do gabinete, estampava um sorriso que ia de orelha a orelha, dizendo:


- To com o homem e não abro!

Reconduzido ao cargo comissionado, Simão Boquinha agora terá que se desdobrar para manter seu novo chefe no poder; pois seu novo chefe, enquanto no poder estiver, será também sua ideologia, seu provedor e seu deus.
 
E se porventura você achar essa estória parecida com a história de alguém que você conhece, saiba que não se trata apenas de mera coincidência. A ficção e a realidade às vezes se encontram para revelar os bastidores de um país-mercado onde votos e almas ainda são descaradamente postos à venda. 

Humberto de Lima

terça-feira, 13 de julho de 2010

Em Julho



Frio de Julho:
A neblina cai silente...
Debaixo dela, pés sem pressa!

Nuvens de Julho:
A garça voa bem alto...
Junto dela, o olhar que sai do chão!

Tarde de Julho:
Ponteiros andam em sentido horário...
Livre deles, o pensamento vai e vem!

Humberto de Lima

terça-feira, 6 de julho de 2010

Lições de uma copa


Com as mãos sobre o teclado e os ouvidos antenados no som que vem da TV da sala, ouço a narração do jogo Holanda X Uruguai. Enquanto isso, eu vou aqui juntando e escrevendo algumas lições que deveríamos aprender durante essa copa do mundo de 2010. Falo de lições válidas não apenas para o contexto esportivo, mas, também, para todos os demais  setores de nossa existência.
Vamos a elas:
1. Nem só de fama viverá o time – A África do Sul foi, nos últimos dias, palco de jogos onde o favoritismo histórico de algumas equipes em nada as ajudou. A zebra correu solta e, grandes equipes como a França, a Itália, a Argentina, e, até mesmo o Brasil, único penta-campeão mundial, foram derrotados bem antes de chegar às semifinais.  
Vitórias do passado são vitórias do passado; portanto, não nos isentam de ter que treinar bem e jogar melhor para garantir a vitória do presente. Certa vez, ouvi o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso dizer que os milhões de votos que um político recebe no dia de sua eleição simplesmente deixam de existir no dia seguinte. Em outras palavras, depois de eleito e empossado, você precisa trabalhar duro para conquistar outros milhões de votos, sem os quais, sua reeleição não se tornará realidade.
Ouvi ou li, não lembro onde, que muitos relacionamentos românticos começam a afundar a partir do momento em que a pessoa diz para si mesma: - Eu tenho Fulano, ou, eu já conquistei Sicrana. A vida deve ser encarada como uma luta permanente, uma conquista diária, onde troféus de ontem não garantem a medalha de hoje.
2. Viver é preciso depois da derrota – Embora ninguém queira perder, o fato é que toda equipe, experimentará eventualmente o sabor de uma eliminação. Da mesma forma, demissões, falências, separações e outros acontecimentos desagradáveis podem acontecer na história de qualquer ser humano.
O problema é que vivemos em um mundo onde a sociedade geralmente descarta perdedores e vira as costas para os que sofreram perdas e danos. Prova disso é que, ainda nessa semana, ao desembarcar por aqui, Dunga e os demais membros de sua comissão técnica, já tinham suas demissões decididas e divulgadas pela CBF.
Que fazer, então? Os praticantes de patinação no gelo aprendem desde cedo que as quedas são inevitáveis, mas levantar é preciso. Sim, levantar é preciso!
É importante também, que imitemos Cristo em nossas relações diárias, ajudando a reerguer aqueles que sofreram quedas as mais diversas. São Pedro, numa mesma noite, antes que o galo cantasse, por três vezes negou que conhecia Jesus. Depois, saiu dali se sentindo completamente arrasado. Se dependesse de muita gente, o apóstolo jamais teria outra chance; mas, o Mestre mandou chamá-lo, e depois, fez dele um líder.
3. 2014 poderá ser muito mais que 2014 – Fica combinado que nós seremos os anfitriões da copa e tentaremos conquistar o hexa dentro de casa, daqui a quatro anos. Deveríamos, porém, nutrir algo que vá mais além das simples expectativas de torcedores verde-amarelos. Podemos estabelecer outras metas, fixar outros alvos, em todas as áreas da vida.
Onde e como você gostaria de estar de hoje a quatro anos? Pense nisto, creia nisto, lute por isto!
Humberto de Lima

Mais lidas na semana