" "

"Quando a escola progride, tudo progride!". (Martinho Lutero).

quarta-feira, 23 de junho de 2010

No mundo da bola


-->
Futebol em meus verdes anos foi como um romance proibido. Criado debaixo dos usos e costumes de uma comunidade pentecostal da década de 70, somente de vez em quando eu escapulia e batia uma peladinha às escondidas em um campinho que existia na Ilha do Bispo. Quando não era descoberto e repreendido pelos meus pais, voltava pra casa pensativo: - Seria mesmo pecado chutar uma inocente pelota? Talvez por isso eu nunca tenha aprendido a jogar direito.
Depois de ter estudado a Bíblia de Gênesis a Apocalipse, meu senso crítico foi pouco a pouco ficando mais aguçado; e comecei a dizer que calção, praia e bola estavam na lista das melhores coisas que poderiam ser curtidas por um jovem cristão. Para os mais velhos isto soou como heresia pura; mas para mim, era uma verdade libertadora da qual eu jamais abriria mão.
Deixando para trás o que para trás ficou, quero aqui falar sobre algumas idéias e manias que somente podem ser vistas no divertido mundo da bola! O fato é que jogadores profissionais, peladeiros de fim de semana, torcedores contumazes e também aqueles que só aparecem em tempos de copa do mundo, apresentam, cada um, o seu PEF – Perfil de Emoções Futebolísticas. Vejamos, pois, alguns deles...
O patriota – Durante a copa do mundo veste até cueca verde-amarela; e, quando se trata de algum torneio internacional de clubes, acaba torcendo por qualquer time, desde que seja brasileiro, mesmo que seja adversário no campeonato estadual.
O fundamentalista – Faz mandinga na esperança de atrapalhar a equipe contrária, acende velas, reza e acredita que Deus, além de torcer, pode também fazer um golzinho de mão para o time dele.
O hiperativo – Põe as mãos na cabeça, fica vermelho, pula, senta, levanta, anda de um lado para o outro, rói as unhas, cruza os dedos, tapa os olhos para não ver a cobrança da penalidade máxima... Tem certeza de que sua participação pode acabar interferindo na direção tomada pela jabulani.
O melancólico – Mesmo ganhando, fica com pena dos perdedores; e mostra carinha de triste quando percebe que um atleta do banco de reservas só foi colocado em campo aos 43 minutos e meio da segunda etapa. Vai às lágrimas quando sua equipe perde...
O surtado – Fala mal da mãe, da irmã, da avó e xinga também a terceira e quarta gerações do técnico, árbitro ou jogador que lhe contrariar em campo... Dá murro no ar, atira na televisão, atira a televisão, às vezes se atira... Crê de todo o coração que partida de futebol é questão de vida ou morte. É aconselhável que o deixem assistir ao jogo sozinho, pois se trata de sujeito de alta periculosidade.
As tietes – Do sofá, elas apitam pênalti quando o ídolo cai em pleno meio de campo. Para elas não importa muito entender as regras do jogo; mais barulhentas que as vuvuzelas sul-africanas, gritam satisfeitas do começo ao fim e dizem que a atuação do  juiz  foi muito boa, desde que ele não tenha expulsado Kaká, nem Messi, nem Cristiano Ronaldo.
O enciclopédico – Sabe tudo de todas as delegações, de todas as competições, de todas as épocas e fala alto o jogo inteirinho, achando que o Galvão Bueno precisa ser dublado. Sua família também tem um desses?
O noviço rebelde – É aquele iniciante que espera os momentos mais decisivos da partida para perguntar o que é impedimento, o que é 4,4,2 e outras minúcias que a gente não consegue explicar com uma frase só.  
O etílico – Esse tipo é imprevisível. Quando não desaba para acordar no dia seguinte perguntando se já terminou o primeiro tempo, é capaz de assumir qualquer uma das identidades acima descritas. Seu bafo é horrível!
Vou parando por aqui, pois preciso atender a uma chamada telefônica de uma nova espécie de torcedor ainda não catalogada.
Humberto de Lima

Um comentário:

talittadantas disse...

Só pra destacar, nem todas as mulheres pertencem aos grupo das tietes! Fato!
Adorei o texto! :)
Faço parte dos hiperativos! kk

Mais lidas na semana