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"Eu penso que patriotismo é como caridade - Começa em casa!". (Henry James).

domingo, 6 de junho de 2010

Eu e o ano que não terminou

Cheguei às 6:45 de uma manhã de sexta-feira, pessoense, paraibano, brasileiro. Recém saído do micro-mundo uterino, eu não fazia idéia de como andavam as coisas aqui do lado de fora. Somente muito tempo depois eu descobri ter nascido naquela data; e hoje, bem mais tarde, entendo porque aquele ano recebeu esse nome.

Em tempos em que florescia a Primavera de Praga, a manifestação de Rudi Dutschke, os movimentos em Paris e Nova Iorque contra a guerra do Vietnã, somados aos brados cariocas em homenagem a Edson Luis de Lima Sousa, fizeram estudantes de todo o globo descobrir que protestar é preciso.

Nos Estados Unidos, um pastor batista, revoltado com o grito dos maus e escandalizado com o silêncio dos que se consideravam bons, resolveu ser a voz dos negros oprimidos. Então, os que pensaram em para sempre calar Martim Luther King Jr, viram o seu discurso ecoar além da América. E ainda hoje, uma vez por ano, o país inteiro pára por causa dele.

Aqui no Brasil, Márcio Moreira Alves, teve coragem de utilizar a tribuna do Congresso Nacional para confrontar a ditadura militar. Seu gesto, embora tenha resultado em exílio e na implantação do demoníaco AI5, acabou por influenciar outros políticos igualmente sérios que lhe sucederiam.

Deixando de lado muitos outros fatos igualmente interessantes e presentes em todas as áreas da vida humana, ocorridos entre aqueles janeiro e dezembro, prefiro aqui enfatizar a resistência contra os regimes totalitários como sendo o ponto alto daquela época. Um estudo mais acurado dos  acontecimentos da década seguinte nos leva a entender que esse mesmo espírito, ali desencadeado, foi se propagando em ondas que ainda hoje inspiram gente do mundo inteiro.

É exatamente aqui que encontro meu grande laço de identificação com o tempo em  que nasci:  Gosto de ser livre!

No campo das idéias até concordo que falem por mim, se aquilo que disserem não for uma distorção daquilo que eu mesmo diria. Entretanto, não gosto de dar procuração a outros para que pensem meu destino ou  o decidam em meu lugar!

Casado com o direito de ir e vir, amante das liberdades de expressão e de crença, corre em minhas veias um sangue obstinado. Afinal, sou filho do ano que não terminou...

Humberto de Lima

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