" "

"Eu penso que patriotismo é como caridade - Começa em casa!". (Henry James).

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Minha tristeza


Ando triste em relação ao que vejo na programação gospel exibida na televisão brasileira. Causa-me repugnância saber que horários tão caros, pagos mediante sacrifício financeiro de tanta gente pobre e desesperada, sejam utilizados para vender ilusões.  Desconhecedoras da Bíblia, as massas seguem comprando um evangelho falsificado, do tipo organizações tabajara, cujas promessas apontam para o fim de todos os problemas de saúde, financeiros e até sentimentais, desde que a semente (dinheiro) seja imediatamente semeada (depositada) na conta dos inescrupulosos telepregadores.
Prometem mas não garantem; pois garantir significa assegurar a eficácia do produto ou serviço, sob pena de substituí-lo por outro que corresponda ao que foi anunciado ou devolver todo o dinheiro pago. Porém, a realidade nos mostra que quando alguém ousa reclamar da ineficiência do sabonete ungido, acaba por ouvir como resposta a velha e descabida desculpa: - Não funcionou porque o problema está em sua falta de fé!
Ando triste com o clima dos bastidores mega-eclesiásticos, onde se respira poder e luta pelo poder. Já não me sinto à vontade em ambientes onde a lógica empresarial tirou da parede o retrato de um Jesus com toalha e bacia. Já não me atrai a idéia de subir  a escada dos cargos mais cobiçados  e rejeito falar em púlpitos de onde eu não possa dizer o que penso. Crente em um Deus que abre os braços para o rico sem contudo desprezar o pobre e que percebe o famoso sem entretanto esquecer-se do anônimo, digo não à dominação episcopal e sou contrário à idéia de alto e baixo cleros.
Embora no mundo da medicina existam tratamentos que permitem ao paciente voltar a conviver normalmente com os mesmos agentes causadores de suas alergias,  percebo que essa minha tristeza  não tem mais cura; é alergia que se tornou crônica. Por isso, tendo a me distanciar cada vez mais de estruturas que fazem a minha alma espirrar.
Longe dos grandes shows, prefiro viver a vida simples de  minha pequena paróquia. Assim, sigo pregando que a vida é dura, que durante nossa passagem pela terra nem todos serão curados, nem todos enriquecerão, nem todos escaparão das crises familiares, mas todos os que quiserem poderão andar juntos e se ajudar de alguma maneira. 

Assim, sigo escrevendo que cada igreja,  cada congregação, ainda  que aberta para a possibilidade de cooperação e diálogo, deve seguir livremente, submissa apenas a Cristo e à sua Palavra.
Humberto de Lima

2 comentários:

Roberval Almeida disse...

Meu querido e sempre admirado Humberto,com quem tive o privilégio de dividir um espaço e tempo de formação tão preciosos.

Este "artigo" [com tudo o que ele representa], por muitos anos esteve em meu coração... palavras-queixa [e silenciosas] que me impulsionaram a um viver distante, e até arredio, deste meio tão bem descrito por você nesse artigo, singelo, verdadeiro e extremamente significante... Por isso faço minhas suas palavras, se me permitir...

Tenho percebido que o ditado que correu em Israel, nos tempos do porfeta Isaías, bem caberia neste momento histórico, na vida do "alto-clero" evangélico brasileiro: "Quer aprender a roubar e a mentir? Vá ao templo".(anônimo).

Deus tem algo especial, como missão, para que demos cabo dele... resta-nos vasculhar no âmago das nossas almas e discernir do que se trata... Identificando-o, façamos o que nos instrui o sábio de Deus: "Que comais, que bebais ou façais qualquer outra coisa,fazei para glória de Deus".

Um grande abraço e meus parabéns por ter conseguido externar algo tão íntimo e pessoal.

gelmeneses disse...

Parabéns! ótimo artigo, é realmente lamentável perceber tais procedimentos, principalmente por parte de pessoas que dizem ser praticantes dos ensinamentos Bíblicos, é vergonhoso que façam daquilo que é mais belo e primordial na vida uma mera mercadoria.

Mais lidas na semana