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"Quando a escola progride, tudo progride!". (Martinho Lutero).

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Desilusões urbanas


Saiu de casa naquela tarde...

E viu o motorista estressado,
O cheira-cola,
O mendigo,
A prostituta,
O desempregado...
E o vendedor de CDs piratas tocava o hino nacional!

Viu a passeata dos estudantes,
O piquete dos grevistas,
O vaguear do vira-latas,
O adolescente vândalo,
O velho abandonado...
E o outdoor do político que lhe pedia pra voltar!

Viu a vítima do roubo ainda atordoada,
O atropelado a espera de socorro –
Que fizeram com o celular dele?
O jogador jogando o bilhete já jogado,
Sem prêmio, sem nada, na calçada...
E a cigana lhe estendia a mão para adivinhar boa sorte por um real!

Viu o jornal e o horóscopo dentro dele,
Prevendo um dia de boas descobertas.
Mas logo leu as trapalhadas dos meninos:
Daquele que é o cara, do Chapolin e do dono da ilha...
E o mais sagaz de todos, com sorriso aberto dizia:
- Só quero soltar bombinhas no telhado de Maria!

Voltou pra casa naquela noite,
Não quis saber da novela,
Tomou um suco de maracujá,
Ajeitou a cabeça entre as pernas da mulher,
E foi dizendo:
- A coisa ta preta, Estela, a coisa ta preta!

Humberto de Lima

2 comentários:

Diego Navarro disse...

Excelentes poemas, Humberto! Parabéns pelo dom poético!
Um abraço do amigo e um ótimo final de semana!

Diego

Alice disse...

Lindo demais !! e tem um toque de Chico Buarque !!...que tal musicalizar ?

mil beijos pra vc !

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