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"Eu penso que patriotismo é como caridade - Começa em casa!". (Henry James).

sábado, 24 de abril de 2010

Sobre religião e direitos humanos

Meu primeiro contato com a expressão “direitos humanos” se deu quando eu era ainda menino. Em época de ditadura militar, apresentadores de programas policiais divulgavam através do rádio a idéia de que os direitos humanos eram invenção de bandidos para a proteção de outros bandidos. Até mesmo eu fui, em alguns momentos, pequeno papagaio verde-amarelo, repetindo para o povão aquela linha de pensamento que era facilmente assimilada pela maioria.

Mas os anos passaram e minha velha opinião sobre o assunto foi finalmente modificada pela maturidade adquirida com o correr do tempo, pelas conversas na universidade, pelos livros que li, pelas reflexões sobre o Evangelho de Cristo e também pela Constituição Federal de 1988.

Recentemente, navegando pelas páginas da história mundial, me voltei para o tema religião e direitos humanos, na tentativa de entender até que ponto as duas coisas andam de mãos dadas ou se antagonizam. Como pastor, eu não posso esquecer belos exemplos que nos foram dados por cristãos como Martin Luther King, Desmond Tutu, Madre Tereza de Calcutá, dentre muitos outros, católicos e protestantes, famosos e anônimos, de ontem e de hoje. Sem dúvida, muito do que já foi feito em prol das liberdades individuais, feito foi por gente religiosa, pessoas que apesar da falibilidade inerente a todo ser humano, viram na religião não apenas um meio de busca do divino, mas também instrumento de implementação do bem comum.

Entretanto, observei que a linha do tempo apresenta lapsos (alguns deles, como a Idade Média, duraram milênios) em que a religião foi utilizada por alguns poucos, como instrumento de dominação, exploração e aniquilamento das massas. Preocupante é perceber que o mundo tecnológico e globalizado de nossos dias ainda tem em seu mapa vergonhosas manchas onde seres humanos são perseguidos, presos, torturados e assassinados por fanáticos religiosos que não respeitam outras formas de crer diferentes daquela que eles mesmos professam.

Por isso, devem os países democráticos constantemente revisar seus ordenamentos jurídicos e fortalecer suas defesas contra ideologias ou sistemas políticos que atentem contra um dos mais sagrados de todos os direitos fundamentais – a liberdade de culto.

Que nossas fronteiras continuem fechadas para os deuses da intolerância! A manutenção do Estado Laico e da livre expressão de todas as crenças, sem violar o direito dos que não querem crer, é o atestado de sanidade mental, social e política de uma nação.

Humberto de Lima

3 comentários:

Andréia disse...

Meu amigo Humberto, você como sempre, foi muito feliz ao se posicionar a favor da paz e contra a intolerância religiosa. Congratulações! Que Deus continue te orientando, você está no caminho certo! Abraços fraternos.

O SER E O TEMPO disse...

Querido Humberto, este texto é de uma lucidez admirável. Somente mentes sadias como a sua sabem diferenciar a convicção religiosa da intolerância covarde e despótica.

Grande abraço!

Francinaldo disse...

Reverendo, Gostei do texto e o incentivo sempre a divulgar as boas vertentes que prenunciam as auroras e crepúsculos de nossa ideologia sã sintonizada com a boa,perfeita e agradável vontade de Deus. Salve Salve !!!

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