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"Eu penso que patriotismo é como caridade - Começa em casa!". (Henry James).

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Deslizes e deslizamentos.


Todos nós sabemos que jogar dejetos nas ruas resulta, dentre outros males, no entupimento de galerias pluviais. Uma vez obstruídas, elas não absorvem o conteúdo das chuvas e o que deveria continuar sendo estrada, se transforma em inundação de água suja, causadora de prejuízos e enfermidades. Contudo, o desassistido povo da periferia continua lançando seus detritos em calçadas ainda invisíveis aos olhos vendados do poder público. Se por lugares assim o caminhão do lixo não passa, eles decidem descartar o entulho em qualquer canto e esperar pela próxima enxurrada.
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Todos nós sabemos que durante o período das enchentes os rios crescem e precisam de um espaço extra ao lado de seus leitos para correr sem problemas. Também estamos cientes da necessidade de preservação das matas ciliares, indispensáveis à preservação destes mesmos rios. Porém, bem debaixo dos narizes omissos dos órgãos de gestão ambiental, as margens ribeirinhas continuam sendo desmatadas e invadidas por loteamentos e construções irregulares.  Depois de cada cheia, o povo lamenta a perda da geladeira, da TV, da cama e da própria casa. E os rios seguem chorando a morte de seus peixes e o fedor da poluição.
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Todos nós sabemos que nem todo monte ou encosta é apropriado para habitação. Alguns, quando desmatados, se transformam em áreas de risco. Todavia, de forma desordenada, o processo de favelização sobe a serra para depois descer em forma de desabamentos, soterramentos, mortes e dores. O Morro do Bumba é apenas a ponta de um iceberg bem maior do que podemos imaginar. Disso tudo, todo mundo sabe!
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Sabem disso os legisladores e alguns deles já provaram que disso sabem ao editar boas leis sobre a matéria. Sabem disso os ocupantes do Poder Executivo; entretanto preferem remediar em vez de prevenir. Sabe disso o Ministério Público; embora prefira ser provocado, esquecendo sua liberdade de agir ex oficio. Também sabe disso o povo; mas este, parece gostar do mais fácil.

A lei do mais fácil parece mesmo estar impregnada na alma brasileira. Lucrar de qualquer jeito, construir em qualquer lugar e votar em qualquer um é mais fácil e mais rápido que fazer a coisa certa.
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Enquanto isso, sob os deslizes e deslizamentos, flui um  mar de lama...
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Humberto de Lima

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