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"Eu penso que patriotismo é como caridade - Começa em casa!". (Henry James).

quarta-feira, 3 de março de 2010

Conversa ligeira

Dela tudo podia se esperar, menos aquilo! Depois da cafajestagem do Teotônio, que a abandonara repentinamente, trocando-a por outra depois de um badalado noivado, Ruama havia jurado nunca mais querer negócio com homem.

Mas cinco anos depois, suas mãos estavam suadas, o coração parecia estar acometido por uma arritmia enquanto caminhava de um lado para o outro no alpendre da casa sede. Sob o barulho estridente das cigarras, olhava para a porteira principal e para o celular a cada meio minuto, com vontade de ligar para saber se ele já estava vindo.

João, embora com um jeito tímido e calado de ser, parecia agora muito decidido; apesar de seu medo, estava disposto a ir falar com ela. O olhar do rapaz, como um detector de mentiras, fora capaz de ver um certo interesse por trás da aparente indiferença da moça.

Assim, água mole em pedra dura, ele acabou conseguindo um sim para a conversa tão desejada. Como condição, ela havia deixado bem claro que queria apenas ouvi-lo sem dar qualquer garantia de resposta imediata. E ele veio. Na hora marcada a moto vermelha surgiu na estrada poeirenta do agreste e foi rapidamente se aproximando daquele ponto onde ela ansiosamente o aguardava.

Sem saber por onde começar, ele foi em frente assim mesmo:

- Sabes há quanto tempo nos conhecemos?

- Desde quando éramos pequenos – Respondeu ela.

- Sabes há quanto tempo eu te quero?

- Não, não faço idéia...

- Desde quando eu era pequeno!

- Então, por que não disse logo? Perguntou ela com raiva, derrubando-o sobre o sofá da sala e beijando-o com a sofreguidão de quem acabava de sair de um longo jejum.

Depois de alguns minutos, passada aquela explosão do momento, a empregada que estava escondida próximo à porta, boquiaberta, presencia o final da memorável visita. Os dois se soltam, se olham, sorriem um para o outro e ela calmamente fala:

- Agora desapareça daqui e não volte nunca mais, a não ser que venha para ficar de uma vez e casar comigo.

O sol já começava a escurecer, quando João partiu em direção à sua própria fazenda, ainda meio tonto, mas completamente feliz...

Humberto de Lima

2 comentários:

Emanuelle disse...

adorei...pode incluir essa no seu livro ^^

Anônimo disse...

Do Irmao Roberto.
Um encontro à moda antiga, onde os personagens monstram sentimentos que atravessam o tempo e nao os voláteis de hoje! confesso que deu até um frio na barriga, lembrei de minha adolescencia!!!
Que Deus o abençoe sempre!
Irmao Roberto

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