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"Quando a escola progride, tudo progride!". (Martinho Lutero).

sábado, 20 de março de 2010

Em tempo de santos e santinhos

Geralmente, em ano eleitoral, os pré-candidatos  e candidatos endoidam. Acometidos por uma crise de DNA (Desesperada Necessidade de Aparecer), muitos invocam o atributo da onipresença e tentam estar em vários lugares ao mesmo tempo. Todos os convites são aceitos, embora o candidato saiba da impossibilidade de estar presente a todos os cultos, missas, enterros, aniversários e festas de casamento marcados para aquele dia.

Dessa forma, chegando depois de todo mundo e igualmente saindo antes de todos, eles seguem afobados, pulando de evento em evento; o que acaba resultando em situações inusitadas.

Há um bom tempo atrás, ouvi dizer que lá para as bandas do sertão, um deputado em busca de reeleição, ao perceber que o velório de um correligionário seu estava sendo prestigiado por um adversário político, correu para lá e foi avisando na chegada:

- Vá saindo logo daqui porque este defunto nunca foi seu!

Viajando pelas estradas de nossa velha Paraíba, certa vez escutei dois sujeitos conversando sobre um fato acontecido em uma festa de padroeiro. Contavam que o prefeito da cidade chegou atrasado para a procissão que havia deixado a capelinha e já estava a caminho da igreja matriz. Ao se aproximar do andor, ele viu que os dois lugares da frente estavam sendo ocupados pelo ex-prefeito e por um assessor deste. Sem demora, deu uma poderosa cotovelada no assessor de seu inimigo, tomando-lhe o lugar. E enquanto o cortejo prosseguia ao som dos fogos e do canto da multidão, debaixo do santo, o prefeito e o ex-prefeito iam fervorosamente botando a conversa em dia:

- Ladrão, você ainda me paga!
- Ladrão é você...

Enquanto a gente vai aqui lembrando destes e de outros causos, é bom alertar para o fato de que já começou a temporada em que as igrejas de todas as denominações começam a ser visitadas por personagens da política partidária. Ao contrário dos poucos candidatos éticos, que aparecem, ouvem a Palavra e vão embora sem fazer nenhuma proposta indecente, chegam também os caras de pau em busca de alguma negociata.

Se o pastor não for sério, logo estará usando o púlpito a serviço do Dr. Fulaninho. Os argumentos são os mesmos de sempre: a necessidade de se ter alguém para representar a igreja no legislativo ou executivo, e, em casos mais extremos, há os que apelam para seus “dons espirituais”, dizendo ter recebido de Deus a orientação para que toda a congregação vote no homem. Em troca, o homem oferece ao reverendo a possibilidade de ajuda material para a construção de algum templo ou um cargo de confiança no novo governo.

Sem radicalismos, reconheço que religião e política partidária são igualmente necessárias ao equilíbrio moral e social do povo, desde que as duas coisas não se misturem. Foi sábio Cristo quando disse: - Daí a César o que é de César e a Deus o que é de Deus. Estava lançado o principio da separação entre Igreja e Estado!

Pastores e padres devem continuar cuidando de suas paróquias, sem manipular as ovelhas em favor deste ou daquele candidato ou partido.

E se algum deles se diz vocacionado para começar uma carreira política, que se afaste da administração eclesiástica enquanto estiver em campanha e no exercício de mandato eletivo. Penso que não é boa idéia misturar as coisas.

Humberto de Lima

Um comentário:

Andréia Navarro disse...

Como sempre, muito lúcido!

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