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"Quando a escola progride, tudo progride!". (Martinho Lutero).

terça-feira, 30 de março de 2010

Bajulation

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Dizem que eles existem desde que o mundo é mundo. Não sei se surgiram antes, depois ou  por ocasião do aparecimento do primeiro chefe; mas, se tivesse mesmo que escolher entre uma das alternativas, eu arriscaria dizer que, quando o primeiro chefe nasceu, eles já estavam lá, esperando.
Estão em toda a parte; e, já trabalhei com vários deles ao longo da vida. Alguns foram bem marcantes e didáticos pelo fato de representar com exatidão tudo aquilo que não devemos fazer. Com os nomes devidamente trocados, apresento agora, alguns bajuladores do meu passado:
Manoel Sombra – Este é do tipo que não para em casa e tenta acompanhar o chefe durante os sete dias da semana. É capaz de interromper uma relação sexual ainda em seu estágio pré-orgásmico caso o celular toque com a mensagem “chefe chamando”. Quando indagado sobre a possibilidade de vir a enfrentar problemas familiares como traição ou divórcio, baixa a cabeça, pensativo. Segundos depois, o Sombra esquece o assunto.
Dina, a especialista – O chefe dela é que é de fato especialista em determinado ramo do direito. Ela, apenas eleitora devota do mesmo, sempre aparece para ouvi-lo em suas palestras acadêmicas. E é em ambientes assim que a especialista se sente à vontade para fazer o que mais gosta. Senta nas primeiras filas, presta toda a atenção do mundo ao juridiquês do chefe, e, a cada quinze segundos, com um ar muito sério, balança a cabeça afirmativamente, aprovando tudo, como se tudo entendesse.
Xica Camaleoa – Esta era de alta periculosidade! Ela se aproximava dos colegas de trabalho insinuando estar desgostosa com o chefe e aproveitava a oportunidade para ouvir e colher tudo o que podia colher. Depois, ia até à chefia e contava tudo...
Zú, a louca – Tentei por um cognome melhor nesse tipo, mas confesso que não achei. Ela costumava gastar o que não podia para se vestir como a chefe, descobriu a data do aniversário da chefe, comprou presentes caros para a chefe, pagou happy hour para a chefe, e, quando estourou a crise econômica, foi uma das primeiras a ser despedida pela chefe. Onde está a loucura? Enquanto ainda estava empregada e gastava uma nota preta para impressionar a chefe, esqueceu de fazer o piso e consertar o banheiro do casebre onde morava.
Zé João, o idólatra – Certa vez, fui convidado para falar em um ato ecumênico em algum lugar desse Brasil. Fui, falei e voltei. Meses depois, encontrei o Zé João, que me disse ter gostado muito do evento, do qual ele participara o tempo todo de mãos postas. Concordei que o encontro tinha servido para fazer o público refletir sobre Deus e a vida em comunidade. Estava de saída quando ele me falou que o mais lindo de tudo foi o discurso do chefe. Ora, o chefe havia chegado atrasado e bêbado, mal conseguira concatenar as idéias e gastara todos os minutos de sua fala tecendo críticas a adversários políticos. Não adiantava argumentar. Zé João, além de bajulador, tinha o chefe como um deus.
Zefa Lagartixa – Talvez a maior burrice de um chefe seja deixar-se influenciar por pessoas como Zefa Lagartixa. Ela sempre elogiou tudo o que o patrão dizia e fazia, mesmo sabendo que ele estava afundando. Tempos depois, encontrei os dois – Ele quase falido e ela desempregada.
Humberto de Lima

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