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"Quando a escola progride, tudo progride!". (Martinho Lutero).

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

E que venha 2011!



Olá!
Este mês foi um dos mais ocupados dos últimos anos. O fim de meu penúltimo semestre na Faculdade de Direito e vários compromissos de trabalho me impediram de postar meus textos semanalmente como gosto de fazer.
Aproveitando esse momento de folga dentro da correria festiva que dezembro sempre nos trás, devo dizer que o balanço de 2010 é bem positivo.
É claro que perdi algumas batalhas, mas venci a maioria delas. É obvio que em momentos de solitude também chorei e não consegui tudo o que eu queria. Mas sei que trago comigo uma boa lista de itens pelos quais tenho motivos para agradecer e celebrar!
Se a mim for dado o privilégio de cruzar a fronteira que nos separa do ano novo, nele entrarei acompanhado de tristes e alegres lembranças, de lições aprendidas e de algumas dores teimosas, daquelas que insistem em ficar com a gente por mais tempo.  A verdade é que uma data do calendário por si só é incapaz de resolver todos os nossos problemas de forma instantânea e mágica.      
Que venha então o ano novo com todas as suas previsibilidades e surpresas, com todas as suas certezas e dúvidas, com todas as oportunidades que serão colocadas diante de nós! Aqui, devo confessar que antevejo a aproximação de encruzilhadas diante das quais terei que tomar decisões importantes e fazer escolhas difíceis.  Que Deus me ajude!
E que em 2011, em meio aos sonhos e utopias eu também possa:
Nadar mais vezes nas águas do Atlântico,
Ler mais e escrever mais, por puro prazer,
E num escambo em que ninguém perde nada, quero trocar mais abraços e risadas com verdadeiros amigos...
Feliz Ano Novo!
Humberto de Lima

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Sina de Pescador




Minha pescaria é de anzol,
Em rio onde não se vê cardumes;
Um de cada vez!

Minha pescaria é de espera,
Ela me ocupa todo o dia.
E da canoa suspiro - Queira Deus, um peixe vem!

Minha pescaria é de subsistência;
É a força de seu fruto que me mantém na lida.
E que seja assim até que da vida me venham servir o jantar!

Minha pescaria é milagrosa;
às vezes acho tudo tão pouco...
Mas se compartilho, faço sorrir doze mil homens, mulheres e crianças!

E quando perguntam como eu vivo,
Não nego e falo:
- Sou um pescador de alegrias!

Humberto de Lima

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Quimera


É como o mar, o mar, o mar azul,
Que é tão bonito e até me faz sonhar.
Sempre me atrai, pra si me faz correr,
E já faz parte do meu desejar.

É como o mar, o mar, o mar profundo,
Cujos mistérios eu não sei desvendar.
Sempre mistura certezas e dúvidas,
Criando em mim um eterno perguntar.

É como o mar, o mar, o mar distante,
Longe de mim e bem perto do céu.
Sempre me faz nadar, boiar cansado,
Fico à deriva, sinto- me ao léu.
Humberto de Lima

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Meus velhos medos


Quando eu era bem pequeno, tinha medo de ficar sozinho em casa. Lembro que certa noite minha mãe me deixou dormindo e saiu.  Acordei, abri a janela e fiquei chorando; até que uma vizinha chamada Dona Joana me levou para a casa de Tia Lilina. Lá, nos braços de minha mãe, me senti seguro e o medo se dissipou.
 
À medida que fui crescendo outros medos me foram apresentados, tais como o medo do bicho papão e do papa figo. Descobri mais tarde que o primeiro era criação dos adultos para nos induzir a fazer o que eles queriam; o segundo era também invenção dos já crescidos para evitar que nós ganhássemos o meio do mundo. Em nosso imaginário infantil, o papa figo era um leproso que aparecia sem avisar, arrancando e comendo a glândula hepática de meninos e meninas soltos nas ruas.
 
Tão logo eu e meus colegas descobrimos que morávamos às margens do Rio Sanhauá, fomos ameaçados com a possibilidade de encontrar sumidouros e seres como a Comadre Florzinha e o temido Pai do Mangue. Vez por outra, como num disco de vinil com falhas, o afogamento de algum moleque era passado e repassado centenas de vezes, até que as mães, avós e tias tivessem certeza de que estávamos apavorados o suficiente para não entrar mais no manguezal. Mas não tinha jeito, a gente continuava indo assim mesmo.
 
Superada essa fase, de tempos em tempos, quando a turma parecia estar aprontando além da cota permitida, logo aparecia alguma funcionária do Grupo Escolar, comentando sobre a última noticia:
 
 - Lá pras bandas do estrangeiro nasceu um menino com cabeça de porco e voz de monstro! Ele passou poucas horas vivo e antes de morrer, disse que o mundo pode se acabar ainda esse mês, começando aqui pela Paraiba!
 
Aquilo parecia balde de água gelada sobre o nosso fogo. Passávamos alguns dias bem comportados diante de profecias assim.
 
Já entrando na puberdade, hormônios em alta, garotos e garotas ficavam animadíssimos diante da possibilidade de sentar lado a lado em carteira dupla. 
 
Um dia, eu e Marleide (Juro que já não lembro se o nome dela era Marleide ou Marileide) estávamos juntinhos naquele atrito bom, pé com pé, perna com perna... Fingindo concentração na aula de Matemática, fomos de repente surpreendidos pela professora, que veio até nós e falou baixinho:
 
- Ou vocês se separam e param com essa sem-vergonhice ou vou chamar o Sr. Zé Domingos e pedir que ele leve os dois para Pindobal!
 
Não houve alternativa; tivemos que obedecer. Afinal de contas, o Fiscal de Menores e Pindobal eram dois nomes que realmente metiam medo na gente. 
 
Mais tarde, fiquei sabendo que o Sr. Zé Domingos, que também era pregador batista, apesar da cara de durão, não prendia adolescentes como eu e a Marleide. 
 
Num tempo em que a Ilha não sabia o que era assalto, nem maconha nem maconheiro, meus velhos medos eram apenas freios colocados pelos mais velhos para que eu não crescesse muito depressa.
 
Humberto de Lima

sábado, 30 de outubro de 2010

Na Pedra de Santo Antônio



Filipéia me pariu perto do rio e me criou junto do mar;
Depois cresci e aprendi os caminhos do Bodopitá.
Perto de ti, esqueci de voltar;
E entre meus pés e o Sanhauá se agigantou o tempo!

A ti, minha flor do agreste, me dei como nunca antes,
Subindo tuas ladeiras e cruzando a tua ponte.

Te amei, de modo imperfeito te amei,
Do jeito que eu pude te amei, embora não saibas te amei.  

Olho a estrada e já não sei se fico;

Penso em partir sem saber pra onde.
Se eu der volta ao mundo, te peço, assim por escrito:

Não te esqueças de mim, querida Fagundes!
Humberto de Lima

domingo, 24 de outubro de 2010

No mundo da feira


 
Entrou na lojinha de cd pirata que ficava bem no meio da feira e foi logo dizendo:
- Moço, eu quero aquele cd!
- Qual?
- Aquele que faz assim: Tan-tan-tarantantantan... Tantan...
- Sabe qual é o cantor?
- Ah, é aquele bem bonitão... Um gato, ele...
- O nome dele, você sabe?
- Sei não... Mas é aquele bem bonito que está fazendo o maior sucesso...
 
-Assim fica difícil localizar...
- O povo todo tá cantando, desse jeito, ó... Tan-tan-tarantantantan... Tantan...
Na tentativa de ajudar, outro atendente foi mostrando, uma a uma, as capas de cantores boa pinta que estavam nas paradas.
 - Não, não é esse não. Nem esse... Também não...
 
Uma pequena platéia foi se formando para ouvir o concerto que deixava os vendedores cada vez mais desconsertados. Mas, por maior que fosse o esforço, ninguém conseguia descobrir a autoria daquela melodia sem letra e em ritmo de montanha russa. Em clima de sacanagem, o pessoal aplaudia cada vez que ela concluía mais uma estrofe de tan-tan-tarantantantan...
 
Apesar de estar agora mais conhecida do que o artista que procurava, ela prosseguia alheia ao seu próprio momento de fama:
- Por perto ninguém tem, e vim aqui porque já me disseram que vocês têm que ter!
- Moça, infelizmente, nós não temos!
- Pois devia ter. Era pra dar presente de aniversário à minha sobrinha!
 
Xingou o rapaz de baitola e foi saindo, fumaçando pelas ventas.
 
E eu, que já vi quase tudo no folclórico mundo da feira, também vi, ao passar perto do local onde vendem verdura, um irmão fundamentalista, Bíblia em punho, que desafiava seu vizinho de barraca, dizendo: - Vem pra cá e eu vou te desmoralizar dentro da Palavra!
 
Confesso que até parei e fiquei por ali examinando um belo jerimum, curioso por ver como seria o debate, mas o desafiado mandou o desafiante ir para a baixa da égua e se aquietou em cima de um tamborete.
 
Seguí em frente e passei perto de um boteco grande onde bêbados paquidérmicos praticavam levantamento de copo e arremesso de piola sob uma nuvem de moscas . Um deles, talvez com dor de cotovelo, tentava competir com o som do rádio que tocava Bartô Galeno.
  
Um pouco mais adiante, perto do estacionamento dos ônibus, um moleque escrevia na parede com carvão, anunciando em grafia quase indecifrável mas aqui devidamente traduzida: “Comida boa e banheiro limpinho. Banho por um real. Mijar ou obrar, somente cinqüenta centavos”.
  
Humberto de Lima

domingo, 17 de outubro de 2010

Pai Nosso em versão high-tec


Pai nosso que estás acima do ciberespaço,
Favorito dos favoritos seja o teu perfil.
Venha a nós o teu download,
Sejam estabelecidas as tuas configurações aqui na rede como nos céus.
A conexão nossa de cada dia dai-nos hoje; e,
Perdoai nossas distrações assim como nós perdoamos àqueles que nos têm bloqueado.
Não nos deixe esquecer que ainda existem os beijos, os abraços e os olhos nos olhos,
Mas livrai-nos de viver apenas no mundo virtual.
Pois teu é o domínio e o melhor conteúdo para sempre, amém!
 
Humberto de Lima

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Um olhar sobre o segundo turno


Daqui, da minha janela de eleitor desencabrestado resolvi dar uma olhada e vi um monte de coisas que um monte de gente ainda não viu ou finge não ver.
 
Eu vi a agonia dos que precisam manter cargos comissionados para sobreviver. E disse aos meus filhos: - Sejam livres, nunca dependam disso!
 
Eu vi como é bom ser dono de um voto livre, sem ter a desesperada necessidade de dizer aos meus candidatos que eu os escolhi.
 
Eu vi como o povo encara as eleições de forma passional. Aliás, por aqui, a maioria dos que criticam ou defendem a Bíblia nunca a leu completamente e a maioria dos que discutem política nunca abriu a Constituição.
 
Eu vi o quanto as massas estão subestimando a importância do Poder Legislativo. Talvez os sucessivos escândalos das últimas décadas tenham desencadeado na cabeça do eleitor a errônea idéia de que todo deputado ou senador é corrupto; e, portanto, tanto faz votar em nenhum ou votar em qualquer um.
 
Eu vi a dependência existencial e política que a Bolsa Família tem causado em milhões de pessoas. Originalmente concebido como Bolsa Escola, o programa exigia uma contrapartida por parte dos beneficiados, isto é, o compromisso de manter os filhos pequenos estudando. No inicio, tratava-se de um incentivo à educação com propósito e tempo de duração bem definidos. Infelizmente as regras foram mudadas e a idéia é atualmente utilizada com fins eleitoreiros.
 
Eu vi o mimetismo petista. Cada vez mais distante do partido para o qual pedi votos nos tempos de minha juventude, vejo que O PT já não é mais o mesmo. Hoje, como um camaleão que muda de cor conforme o ambiente, ele mostra incoerência entre seu discurso e prática.
Se por um lado, o atual governo louva e engrandece a democracia e a liberdade de imprensa, por outro lado estreita cada vez mais suas relações com outros governos de ideologia autoritária, como é o caso dos irmãos Castro em Cuba, de Hugo Chávez na Venezuela e de outros mais.
 
No que diz respeito a esse segundo turno, se por um lado, o Partido dos Trabalhadores tem se esforçado durante esta campanha para dizer que defende a vida, por outro lado, vejo que este mesmo partido  firmou documento decidindo manter sua posição a favor da liberação do aborto (Resoluções do 3º Congresso Nacional do PT, Página 43).
 
Finalmente, tenho visto também como os ataques pessoais entre candidatos e a preocupação de apresentar uma conveniente religiosidade de última hora têm servido para disfarçar a ausência de boas idéias nas áreas de segurança pública, saúde, educação, habitação e geração de empregos.
Humberto de Lima

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Ei!


Ei!
Eu também encaro minhas encruzilhadas;
Não sou o tempo todo genial e nem sempre tenho as respostas.
Seguido bem de perto pelos meus defeitos, peço:
Tenha paciência comigo - Não sou Deus, apenas trabalho para Ele!

Ei!
Com nenhum jeito pra te olhar de cima,
E sem jamais querer te enxergar de baixo,
Propondo a tolerância que mantém vivos os diferentes, sugiro:
Não tenhas medo de me amar – Já faço isso há algum tempo e descobri que é bom!

Ei!
Tenho encontros com a solitude porque ela é boa ouvinte,
Gasto tempo com a música por ser ela amiga minha,
Procuro os poetas porque eles me entendem.
No mais, explico – É que me deram um nome com H de humano!
 
Humberto de Lima

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

2010 - Os eleitos da Paraiba!

Embora esta não seja a temática principal do HumbertodeLima.com, julgamos ser relevante registrar aqui a relação dos cidadãos que foram eleitos pelos paraibanos para o próximo mandato, que vai de 2011 a 2014.

Esta lista continuará aqui e você poderá voltar a ela sempre que for preciso. Afinal de contas, memória bem viva e fiscalização contínua fazem bem à democracia!

Deputados Estaduais Eleitos:

Gervasio Maia - 45.597
Francisca Motta - 43.475
Arnaldo Monteiro - 35.765
Trocolli Junior - 35.622
André Gadelha - 33.312
Olenka Maranhão - 32.344
Guilherme Almeida - 29.858
Raniery Paulino - 29.257
Doda de Tião - 24.953
Wilson Braga - 24.752
Vituriano - 24.482
Batinga - 23.732
Manoel Ludgerio - 40.153
Léa - 37.820
Ricardo Marcelo - 35.164
Lindolfo Pires - 34.935
Edmilson Soares - 33.401
José Aldemir - 32.814
João Henrique - 32.591
Branco Mendes - 32.012
Adriano Galdino - 29.098
Dinaldo Wanderley - 26.822
João Gonçalves - 25.542
Antonio Mineral - 24.387
Toinho do Sopão - 57.592
Eva Gouveia - 27.158
Gilma Germano - 21.067
Janduhy Carneiro - 16.504
Frei Anastácio - 26.014
Luciano Cartaxo - 24.296
Anísio Maia - 21.516
Caio - 32.307
Tião Gomes - 30.638
Dr. Aníbal - 20.455
Daniella Ribeiro - 29.863
Genival Matias - 15.255

Deputados Federais Eleitos:

Wellington Roberto - 113.167
Ruy Carneiro - 108.644
Manoel Junior - 108.041
Wilson Filho - 105.822
Luiz Couto - 95.555
Romero Rodrigues - 95.293
Benjamin Maranhão - 94.984
Aguinaldo Ribeiro - 87.572
Dr. Damião - 87.134
Efraim Filho - 87.014
Hugo Mota - 86.150
Nilda Gondim - 79.412.

Senadores Eleitos: Cássio Cunha Lima (1.004.183), Vital do Rego Filho (869.501) e José Wilson Santiago (820.653) foram, respectivamente, os três candidatos mais votados para o senado. Dos três, somente dois poderão assumir o cargo. O resultado depende de decisão do STF sobre a aplicação da Lei da Ficha Limpa em relação ao candidato Cássio Cunha Lima.

Governador: Haverá segundo turno entre Ricardo Coutinho e José Maranhão.

Presidente da República: Haverá segundo turno entre Dilma Roussef e José Serra.

Eles pediram para que votássemos e agora eu lhes peço para que não esqueçam. Olho neles!

Humberto de Lima

sábado, 25 de setembro de 2010

Advertências à Terra Brasil


Tiveste berço bom quando menina; e, quando cresceste, cresceram contigo tuas terras ao ponto de te tornares a maior desse hemisfério sul.
 
Privilegiada que foste, ganhaste solo fértil, muitas fontes de água, flora inigualável, fauna exuberante, minas diversas te esperavam debaixo de teu chão.
 
Foste poupada do frio intenso que castigava os pólos e ficaste longe dos desertos que abrasam outros povos. Até mesmo os terremotos, tornados e vulcões se mantiveram distantes de ti!
 
Na tua infância e juventude foste explorada por gente de além mar; mas te rebelaste, te libertaste e soltaste o teu grito. Como gostei de ler aquilo!
 
Confesso que fiquei feliz quando ouvi que deixaste de ser colônia. Sonhei e pensei que uma vez emancipada e feita mãe, tu cuidarias bem de teus filhos, dos filhos de teus filhos e dos netos  de teus netos...
 
Mas o tempo passou e tu deixaste de ser apenas livre para ser também inconseqüente e dissimulada. Aprendeste a esconder e disfarçar teus erros com os cosméticos dos marqueteiros e com a astúcia dos que manipulam estatísticas.
 
Eis que já se voltam contra ti todas as conseqüências de tua maternidade irresponsável. Teus filhos não se respeitam, não te respeitam e nem respeitam o trabalho de teus legisladores.
 
Como é triste te ver elaborando normas para dizer aos teus homens que é proibido fazer xixi na praça! Não deveriam ter aprendido enquanto crianças? Tiveste que promulgar uma lei de responsabilidade fiscal para dizer aos teus administradores que eles estão impedidos de roubar a coisa pública; e, na tentativa de frear a gula de teus partidos políticos e de teus eleitores, fizeste a Lei da Ficha Limpa. Eles porém, seguem em frente, burlando como podem! 

Já bem dizia o velho filósofo: - Eduque os meninos e você não precisará punir os homens!

Em verdade, em verdade te digo: És fraca quando ensinas  e frouxa quando punes.

Por isso, antes que venha sobre ti o futuro sombrio que tu mesma semeaste, aconselho-te que te arrependas de teus pecados!
 
Que te arrependas de não teres tido o devido cuidado com as famílias, onde tudo começa. E que o faças a partir de agora.
 
Que te arrependas de tua omissão estatal. E que comeces agora mesmo a tratar saúde, educação, segurança, geração de emprego e combate à corrupção com a seriedade que lhes é devida.
 
Que te arrependas de tua religiosidade de consumo. E que teus cristãos freqüentem as igrejas não apenas em busca do que Deus tem pra dar, mas, acima de tudo, para perguntar o que Ele tem a dizer sobre equidade e justiça.
 
E, finalmente, espero que depois não chores, dizendo que não te foi enviado profeta... 

Madrugada de 25 de setembro de 2010. 

Humberto de Lima

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Manhã de Segunda.



O homem cansado dormiu e acordou menino;
Quer conversar com o ócio,
Quer paquerar a solitude.
Mas numa porta o galo pede milho,
E na outra porta o caminhão vem buscar o lixo.

O homem-menino acordado precisa de um tempo;
Necessita de um espaço pra ser só menino.
Mas quase tudo o tempo todo lhe diz: - Também és homem,
Com todos os limites que um homem tem!

Então, o homem-menino acordado suspira:
- Posso ter asas e outra vez brincar nos sonhos de ontem à noite?
E o vento cúmplice cicia em seus ouvidos:
- Sim, tu és poeta!
 
Humberto de Lima


segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Encontro Perfeito


É preciso que haja um tempo intensamente desejado e acertado para que cada segundo seja saboreado sem que se tenha de pensar naquele que o antecedeu ou naquele que ainda está para chegar. Não deve haver espaço para a pressa!
 
Como uma pequena ilha dentro do mar distante, o ambiente deve ser bem reservado para que nem conhecidos nem estranhos perturbem a privacidade necessária.
 
A luminosidade deve ser regulada de acordo com o momento, devendo-se evitar os extremos da escuridão total e da exposição direta ao sol do meio dia.
 
A trilha sonora poderá ser uma canção suave, uma música marcante, o barulho do mar, o ciciar do vento ou simplesmente o som da respiração...
 
O corpo e a mente devem estar descansados e cem por cento concentrados no ritual; outros pensamentos devem ficar do lado de fora da porta.
 
Do início ao clímax, a intimidade deve ser total, fazendo sonhos virar realidade, sem medos, sem censura.
 
Ao final, é permitida a contemplação, o relaxamento e o sono, próprios daqueles que amam. 

É assim que escritor e idéia se encontram; é assim que os bons textos nascem!
 
Humberto de Lima

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Sobre política, eleições e voto.

Você ainda não sabe em quem votar nestas eleições? Sinta-se uma criatura perfeitamente normal; pois, de fato, quem deseja exercer o seu direito de sufrágio pensando no bem estar geral da nação, sabe que esta é uma tarefa difícil. 

Ao contrário da política municipal, em que prefeitos e vereadores estão mais próximos de seus eleitores, os deputados estaduais, deputados federais, senadores, governadores e o presidente da república residem e trabalham em mundos que parecem fora do alcance do cidadão anônimo. Desta forma, a distância geográfica acaba por dificultar não apenas o acesso, mas também, o acompanhamento e fiscalização que todos nós deveríamos exercer sobre  aqueles que elegemos para legislar e governar em nosso nome. 

A distância temporal também dificulta as coisas. Para que tenhamos uma idéia do que estou dizendo, procure saber entre dez amigos, quantos lembram a quem deram seus votos para deputado e senador nas últimas eleições gerais, realizadas há quatro anos. Fico me perguntando: Por que um senador brasileiro é eleito para um mandato de oito longos anos ao invés de quatro?

Por sua vez, o analfabetismo, juntamente com o analfabetismo funcional e o baixo nível de escolaridade, ainda atingem grande parcela de nossa população, contribuindo para o agravamento da pobreza e perpetuando a ingenuidade de um povo que se deixa facilmente enganar pela habilidade de marqueteiros especialistas em mostrar demônios como se fossem anjos e vice-versa. 

Nessa passarela, levam vantagem aqueles que fazem do Bolsa Família não apenas uma esmola institucionalizada, mas também moeda de compra antecipada dos votos de milhões de miseráveis em toda a nação.

Por causa disso, já pensei em defender o fim do voto obrigatório; mas, depois de refletir melhor sobre o tema, cheguei à conclusão de que, como nação, ainda não temos maturidade suficiente para isto. Como bem disse o Professor Harrison Targino, tornar o voto facultativo para todos provocaria uma grande evasão de eleitores; evasão esta que acabaria por fragilizar os princípios da representatividade e legitimidade, que só se fazem percebidos mediante a participação da maioria.

Neste exato momento, embora ainda não tenha os nomes de todos os que farão parte da minha lista de escolhidos, tenho convicções bem arraigadas e claras sobre aqueles em quem não votarei:

Eu não voto em candidatos que tenham ficha suja, atestada por processos já transitados em julgado.

Eu não voto em candidatos que defendem a descriminalização do aborto.

Eu não voto em candidatos que em nome de uma cultura e de uma antropologia igualmente insensíveis, defendem a idéia de que os povos indígenas devem continuar enterrando vivas crianças nascidas com alguma deformidade. 

Eu não voto em candidatos cujos projetos visam cercear nossa liberdade de expressão e informação, pondo obstáculos à existência de uma imprensa livre.

Eu não voto em candidatos que preguem a união entre Igreja e Estado, assim como também não voto naqueles que tentam amordaçar padres e pastores, impedindo-os de divulgar a fé e exercer a liberdade de culto.

Eu não voto em candidatos que mantenham ligações perigosas com ditadores e ditaduras de perto e de longe.

Finalmente, eu não voto nulo; pois acredito que diante da falta da opção excelente, ainda posso escolher entre o bom, o regular, o ruim e o péssimo. 

Creio também que a ausência de gente boa não implica necessariamente na inexistência de gente boa. Precisamos estimular pessoas de bem para que participem ativamente da vida política de nosso país, desfazendo a idéia que muitos de nós ajudamos a espalhar - a idéia de que política é coisa do diabo, negócio de gente ruim. 

E se você está entre aqueles que já não suportam conversar sobre esse tipo de assunto, agradeço por ter chegado até aqui em sua leitura e aproveito o ensejo para lhe encorajar, citando a frase de Arnold Toynbee, que diz: “O maior castigo para aqueles que não se interessam por política é que serão governados pelos que se interessam”. 

Humberto de Lima

domingo, 29 de agosto de 2010

Chico Soledad



Días de silencio se han pasado,
Semanas de distancia se han añadido,
Secretos de ayer se hacen lejanos, 
Y por la estrada siguen pies solitos…
Buenos recuerdos vuelan tan distante, 
Después de años que parecen siglos, 
Ya no hay razón para una llamada, 
Y llorar por ella no tiene sentido.
Hasta que una fiesta tiene multitud, 
En la multitud, él está perdido, 
Pero todo cambia con una mirada. 
- ¡Los ojos no mienten, Chico!
¿Hasta cuando Chico, esperarás por ella? 
¿Hasta cuando ella esperará por ti? 
Si hablan los ojos, ha hablado el alma, 
¡Ama tu Maria, ama hoy mismo, si!
Humberto de Lima

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Brasil - Diagnóstico de um povo!



Analfabetismo, violência doméstica, desemprego, fome, delinqüência infanto-juvenil, favelização...  Apesar das propagandas oficiais tentarem passar para nós uma imagem edênica do país, não precisamos ir muito longe de casa para ver que estes vocábulos ainda fazem parte do dia a dia de milhões de brasileiros.
É claro que os multifacetados problemas sociais que nos atingem do Oiapoque ao Chuí têm diversas origens; mas, sem querer ser simplista em minha abordagem, devo dizer que eles são efeitos de três causas maiores, sobre as quais discorro a seguir:
1. Enfraquecimento das famílias – Converse com um menor infrator e você logo descobrirá que ele geralmente vem de uma família marcada por violência doméstica e também pela absoluta falta de valores necessários a uma convivência digna dentro e fora de casa. Devido à ausência (ou presença abusiva) dos pais, estas crianças crescem sem limites, sem noção de autoridade. 

Em lares mais abastados, onde cada um tem seu quarto, sua TV, seu computador, seu smartphone e seus games, a realidade não é muito diferente; pois os pequenos vivem em um contexto dentro do qual não se discute com profundidade os conceitos de certo e errado nem sobra tempo para reuniões familiares.
Além disso, pais que vivem longe dos filhos por motivo de trabalho ou de divórcio acabam por querer compensar a distância de forma equivocada, dizendo sempre sim às exigências destes, levando-os a pensar que podem tudo.
Doutrinados apenas pela nem sempre sadia programação televisiva, esses garotos e garotas são como bombas-relógios, programadas para explodir mais tarde em forma de adultos que não saberão respeitar o direito dos outros.
2. Estado ineficiente – Somos um povo com mais de quinhentos anos de história, vasta extensão de terras agricultáveis, água em quantidade ainda satisfatória, rico em recursos minerais, e, mesmo assim, as desigualdades sociais continuam acentuadas.
O Estado tem falhado em sua obrigação de oferecer serviços públicos de boa qualidade nas áreas de saúde, segurança e educação. Motivo? Esse mesmo Estado, muitas vezes, é representado e gerido por pessoas descomprometidas e corruptas, escolhidas por eleitores igualmente descomprometidos e corruptos.
Se por um lado não precisamos gritar o grito dos que vivem debaixo de ditaduras, por outro lado, precisamos admitir que nossa mãe gentil necessita urgentemente de políticos sérios e de eleitores mais exigentes.
3. Religiosidade sem Deus – Somos um país de Estado laico e ao mesmo tempo livre, diversificado e tolerante no que diz respeito às questões de fé. Aqui, faço uma pausa em minha argumentação para dizer que esta é uma das melhores coisas que pode acontecer a um povo.  As liberdades de expressão e de culto são troféus que para sempre devem ser guardados e protegidos pelos nossos legisladores!
Quando falo de religiosidade sem Deus, estou querendo dizer que ver igrejas apinhadas de gente nos finais de semana, nem sempre significa dizer que Deus está sendo buscado em sua essência.
Muita gente vai à missa ou ao culto somente para buscar a solução de problemas do dia a dia. Dessa forma, suas orações parecem mais uma extensa lista de compras, durante as quais pedem a benção de Deus, sem, entretanto, demonstrar interesse pelo Deus da benção.
Dentro desse tipo de religiosidade, não há procura por questões outras. Como Deus gostaria que eu me relacionasse com Ele, comigo mesmo, com a natureza e com meu próximo?
Sem a busca dessas respostas, estamos edificando sobre areia. Assim, a casa cai e fica difícil fazer a diferença necessária para que tenhamos um Brasil melhor...
Humberto de Lima

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Midnight Questionings


During the day, disobedient eyes keep gazing; 
During the night, rebel dreams bring pictures: 
Images of a past that can’t be present, 
Photos of a future that may never come…
The straight line now leads to a crossroad; 
Choices and decisions wait to be made. 
There’s no way back if one turns right, 
And in the left side, the result is just the same.
Should a man tie his dreamer heart? 
Or should release it in a wild way? 
Between yesterday and tomorrow, 
His hardest question cries out saying:
Where are you that I may hear your voice? 
Now what?  
What was left for this moment named today? 
Midnight, silence...
Humberto de Lima

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