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"Quando a escola progride, tudo progride!". (Martinho Lutero).

sábado, 3 de outubro de 2009

A corrente


Visto com bons olhos pelo resto do mundo, escolhido como anfitrião da copa do mundo e dos jogos olímpicos, forte candidato a uma vaga no conselho de segurança da ONU, exemplo de democracia para nuestros hermanos, somos um país emergente!

De fato, olhando pelo espelho retrovisor da História, podemos ver o quanto já avançamos em direção ao melhor. Basta lembrar que em outras épocas éramos colônia, o povo não tinha liberdade de praticar outra religião além daquela que lhe fora imposta como oficial, nossas mulheres eram impedidas de votar, experimentamos golpes de estado, estivemos sob regime ditatorial, sentimos em nossas bocas o gosto amargo da censura, fomos devedores do FMI e também convivemos com o stress da inflação.

Por esses e por outros motivos, simplesmente não consigo me juntar àqueles que somente reclamam; pois reconheço, apesar das razões que ainda tenho para reclamar, que também existe muita coisa boa para comemorar.

Lentamente, saímos do passado e agora caminhamos no presente, ansiosos por um futuro que ainda está bem distante. Refiro-me aqui a um futuro não cronológico, dentro do qual a maior novidade não será o fato de estarmos mais velhos; falo de um tempo em que estaremos livres de mazelas sociais incompatíveis com uma nação cuja economia está agora entre as dez maiores do mundo!

Porque estamos em movimento, seria injusto sermos acusados de inércia; lentidão é o nosso problema. Somos lentos em passar para o povo informações que fazem diferença, somos vagarosos em transmitir aos nossos filhos conhecimentos transformadores.

Como resultado dessa lentidão, temos ao nosso redor milhões de cidadãos que ainda não conhecem a Constituição Federal promulgada há mais de vinte anos. Tais cidadãos, por ignorar o conteúdo da Carta Magna, seguem vivendo como agentes passivos e meros expectadores de uma sociedade que eles mesmos poderiam mudar.

Pensando nisto, sugiro que seja incluído na grade curricular do Ensino Fundamental, o estudo dos primeiros onze artigos do texto constitucional. Sugiro também, que o mesmo conteúdo seja revisado pelos alunos do Ensino Médio!

Lá, nossos estudantes aprenderão que todo poder emana do povo, que todos são iguais perante a lei, que ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei. Mais que isto, eles saberão desde cedo que existem garantias fundamentais e direitos sociais pelos quais devem lutar.

Dessa forma, aguçando o senso crítico de toda uma geração de crianças e adolescentes, estaremos programando bombas do bem, que explodirão dentro de poucos anos, nos mais diferentes setores da sociedade, na forma de cidadãos mais éticos e mais exigentes.

Como uma corrente, proponho que esta idéia seja passada para o maior número possível de pessoas; e, espero que pais, professores, pastores, padres e rabinos desse país, promovam a reflexão sobre o tema em seus lares, escolas e paróquias.

Sim, nós podemos ensinar o abc da cidadania aos nossos pequenos, incluí-lo passo a passo em suas cartilhas, tornar o assunto leitura exigida para o vestibular e fazer do Direito Constitucional disciplina obrigatória em todos os cursos superiores.

Aos legisladores de plantão, apelo para que transformem essa idéia em norma positivada. E finalmente, ao povo brasileiro, lanço o desafio para que faça a devida pressão, caso essa sugestão seja ignorada por aqueles que podem e devem incluí-la em nosso ordenamento jurídico.

Humberto de Lima

Um comentário:

Andréia disse...

Amigo, te aplaudo de pé!

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