" "

"Um líder é alguém que conhece o caminho, vai pelo caminho e mostra o caminho". (John C. Maxwell).

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

A minha ilha

Sinto saudade da ilha;
Pois tudo era mágico lá.
Tinha bichos no quintal,
E uma cerca de varas, com mangueira e trapiá.

A maré da ilha era um oceano,
Sua mata, minha Amazônia.
A gente entrava no mangue sem ter hora pra voltar;
Na caça de goiamum e de caranguejo uçá!

Às vezes Durango Kid, outras vezes Tarzan,
Na ilha eu era cacique, sem ter medo do amanhã.
Pra casa cheia de primos, vinham os filhos dos vizinhos,
E o barulho era contínuo, sem vontade de parar: brincar, brigar, brincar...

As meninas da ilha eram as mais bonitas do mundo!
Existia outro mundo além da ilha?
Por causa delas, dava vontade de crescer,
E de virar logo homem pra então casar e ver,
Como era esse negócio de marido e mulher...

Não!
Eu não quero vossa ilha!
Tenho saudades da minha,
Daquela que foi e nunca mais voltará a ser...

Humberto de Lima

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Jardilina

Oh Jardilina,
Eu te chamei e tu vieste,
Cá bem juntinho a mão me deste,
Te tive perto e foi tão bom!

Ai Jardilina,
Sem que eu entendesse foste embora,
Aí eu vi que homem chora,
Só ela ficou, a saudade de tu!

Sabe Jardilina,
Às vezes vejo que tu voltas,
Mas pela brecha o sol me chama,
Dizendo: - Zé, foi sonho teu!

Voa Jardilina,
Eu num te quero numa gaiola;
Aqui me aquieto, rede e viola;
Quem sabe um dia tu lembras d’eu...

Humberto de Lima

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Quase lá!

Às vezes goteja, água de sino;
Outras vezes, o assento vira rede e embala micro-sonhos.
Já pensamos na Lei das Doze Tábuas, tentamos trocar idéias com o Leviatã de Hobbes;
E, desejamos, intensamente, chegar lá!

Depois de tantas mudanças, Bat-Caverna, primeiro andar...,
O constitucional se sobrepôs ao infraconstitucional;
O PIB de Campina Grande não subiu;
Batemos um papo com São Tomás e ouvimos as confissões de Agostinho!
Eita vontade doida de chegar lá!

O trailer foi passado e avisou que o debate ia pegar fogo;
Um trenó chegou, trazendo o natal;
E nós perguntamos se este país tem futuro.
O pregador advertiu: - “Já fui como vocês e vocês serão como eu!”;
Melhor não esquecer a homilia; ela também nos ajuda a chegar lá!

Evasão é uma mulher feia, Elisão é uma linda miss;
Maria da Penha é lei;
E ainda há juizes em Berlim!
Com o processo andando, perto de ser coisa julgada;
os futuros bacharéis, pacientemente aguardam...

Humberto de Lima

sábado, 15 de agosto de 2009

Keep an eye on my wife

Eu trabalhava no Hotel Tambaú, em João Pessoa. Certo dia, um hóspede, um tanto preocupado, me procurou e disse:

- Humberto!
- Yes, Sir!
- Keep an eye on my wife!
- Eu?
- Sim. Vou passar quatro dias fora. Por favor, veja como ela se comporta. E se perceber alguma coisa errada, me diga quando eu voltar.

Qual terá sido o porquê daquele pedido? Seria a mulher dele uma pessoa doente, infiel, bizarra, excêntrica? Seria ele um cara ciumento, maluco ou apenas alguém preocupado com o bem estar da esposa?
Com aparência de alguém que beirava os trinta, a mulher se mostrava saudável. Era muito bonita e sorria sempre que passava pela recepção. Não falava nada em Português, nem em Espanhol, nem em Inglês; e, ainda que o soubesse, não teria tempo para parar e conversar com as pessoas. A filha manhosa, de cinco ou seis anos não a largava um instante, sempre puxando-a de um lado pra outro.

Quando o marido voltou, me perguntou?

- Ficou de olho nela?
- Without doubt, Sir!
- Tudo ok? Ela se comportou bem?
- Sim, penso que não há nada errado com sua mulher!

Soltando um assopro aliviado e satisfeito, o homem abriu a carteira e me deu cem dólares. Respondi que não era preciso me pagar por nada; mas ele enfiou o dinheiro no meu bolso, bateu no meu ombro e disse que guardasse para celebrar alguma coisa boa. À noite, passei pelo restaurante e vi os dois jantando felizes, enquanto a menina, cochilava no colo da mãe.

Nos dias que se seguiram, pareciam recém-casados em plena lua de mel; depois, voltaram para o velho continente. E eu, que na época ainda via o mundo com ingênuos olhos de menino, não perguntei nada, não entendi nada...
.
Humberto de Lima

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Assim nasceu o meu país

Os ventos sopraram e as caravelas partiram em direção ao novo mundo, trazendo centenas de degredados, cujas penas tinham um propósito meramente punitivo: mantê-los distante da metrópole.
 
Para não ser injusto, convém informar que nem todos haviam cometido crimes como furto, roubo, estupro ou assassinato. Boa parte deles veio parar aqui por ter incomodado a Igreja, com a prática de costumes ou de alguma crença religiosa diferente daquela recomendada pelo "Santo Ofício". 
 
E os administradores da grande ilha, que depois se descobriu ser uma grande terra, a eles não ofereceram muitas alternativas: 1. Alguns conseguiram tocar a vida honestamente como pequenos agricultores, soldados, religiosos, funcionários públicos, mendigos etc; 2. Outros voltaram a delinqüir e morreram em consequência disso; 3. Outros ainda, demonstrando grande capacidade de conchavo com corruptos representantes de El Rei, deram continuidade às atividades ilícitas praticadas em Portugal. Seguindo a lógica darwiniana, sobreviveriam os mais fortes, ou, em alguns casos, os mais espertos.
.
Embora alguns digam ter sido de Pero Vaz de Caminha a afirmação de que “aqui, em se plantando tudo dá”, os apadrinhados da Coroa tinham como lema a idéia de que aqui, em se tirando, tudo vale. 
 
Diferentemente dos pilgrims, fundadores das 13 colônias britânicas na América do Norte, não havia neles o propósito de ficar, nem de fazer daqui o novo lar onde cresceriam, estudariam e trabalhariam seus filhos e netos. A elite lusitana não queria deixar de ser lusitana. O sonho de consumo deles era formar os filhos em Coimbra e voltar mais ricos para Lisboa. Enquanto houvesse caça, pau-brasil, alguma pedra preciosa e possibilidade de mandar açúcar para a Europa, as sesmarias teriam razão de ser. Portanto, tudo aqui era provisório; e extrair, eles pensavam, era melhor do que investir.
.
Tupiniquins, tamoios e tupinambás foram expulsos para o interior; afinal, uma reforma agrária devia ser feita e donatários precisavam tomar posse da área. Mais tarde, os silvícolas seriam escravizados, mas não por muito tempo; pois suas cabeças e sistemas imunológicos não agüentariam os maus tratos nem os novos vírus e bactérias trazidos pelos ibéricos.
.
O tempo começou a mostrar que a grande terra era muito mais do que isso; era um continente! Porque ir embora, sem antes procurar por ouro nos sertões? Porque continuar caçando índios, se podiam importar escravos? Do outro lado do mar, africanos vendiam africanos; e os navios negreiros descarregavam a mercadoria em nossos portos. As senzalas eram depósitos de gente que acordava para trabalhar de graça ou apanhar, e que dormia, para no outro dia acordar e trabalhar de graça, ou apanhar de novo.
.
Os clérigos também vieram. Mantidos pelos cofres públicos, eles trouxeram a “santa” inquisição, com a missão de matar judeus, protestantes e bruxas. Também disseram aos negros que não se rebelassem e aceitassem a escravidão como “vontade de Deus”. Leram a Bíblia em Latim, e conduziram cerimônias, igualmente em Latim. Ao povo, sem nada entender, restava acreditar que de Roma saía toda a verdade.
.
Assim nasceu o meu país!
.
Humberto de Lima

Salmo Incontido

Facas me acertam as costas. Ao olhar para trás, vejo personagens aos quais, como um bom irmão, ajudei a sair de comas existenciais. Meu Deus, tenho andado com descendentes de Caim!

Fugindo dos extremos, me vejo longe do meu velho eu e ainda bem distante do meu eu ideal. Não reivindico canonização; me basta seguir em direção ao melhor, no meu ritmo.

Fui feito para o debate e preparado para o confronto. Mas, o que fazer com bocas que não ousam enfrentar-me e punhos que não me escrevem? Como lidar com falsos apertos de mão, sorrisos caluniosos e olhares difamantes? Meu Deus, tenho recebido beijos iscarióticos!

E digo ao Eterno que estou cansado...


Humberto de Lima.

sábado, 8 de agosto de 2009

O que eu escrevo...

Escrevo protestos. Assim reajo contra o que me desrespeita, discrimina e agride. Meus textos são gritos de guerra que vibram cada vez que são lidos; e às vezes, fazem eco!

Escrevo os deslumbramentos. Dessa forma celebro o belo, perenizo o êxtase e elasteço o prazer...

Escrevo sonhos. Possíveis ou utópicos, eles quase sempre aparecem, nas entrelinhas dos versos ou nos detalhes dos contos...

Escrevo confissões. Meu teclado é um confessionário do século 21...

Escrevo segredos. Escrevo-os para poucos; e estes, porque me conhecem, conseguem decifra-los...

Escrevo teimosias. E persistentemente prossigo em busca de um tempo, de um tema, das palavras certas e de mais olhos que as vejam...

.
Humberto de Lima

Mais lidas na semana