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"Tudo que você tiver que ser, seja bom!". (Abraham Lincoln).

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Plano B

Atenção! Por absoluta falta de necessidade, este texto não é recomendado para cidadãos acima de qualquer suspeita. Se você é um deles, e deseja prosseguir na leitura por mera curiosidade, ao final, não reclame pelo desperdício de seu tempo.

Já que você chegou até aqui, peço que me ajude a divulgar o plano entre pessoas que realmente precisam dele.

Ei-lo:

Quando seus filhos e netos criticarem suas atividades ilícitas:
Use a autoridade patriarcal, faça-os ver que ainda são muito jovens e não entendem nada da vida. Afinal de contas, você está apenas dando seus pulos...

Quando algum jornalista perguntar o que você tem a dizer sobre as últimas denúncias:
Diga que são todas, denúncias suspeitas, feitas por pessoas suspeitas...

Quando questionado porque ainda não demitiu aqueles funcionários corruptos da Câmara Municipal, da Assembléia Legislativa, da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal:
Responda que você foi eleito presidente da casa apenas para liderar as atividades políticas; e, não para fazer faxina...

Quando a TV mostrar aquele vídeo em que você aparece oferecendo ou recebendo propina:
Jure que você não é você, as imagens são irreais e tudo não passa de alucinação ou perseguição política...

Quando verificarem que seu patrimônio é incompatível com sua renda:
Com um semblante agradecido, explique que você é um homem de muita sorte; e, conseguiu ganhar tudo na loteria, na raspadinha...

Quando auditores descobrirem que seu nome consta da folha de pagamentos, mas você nunca aparece para trabalhar:
Advirta-os que você estava o tempo todo em missões secretas, protegido por atos secretos; e, por motivos ultra-secretos...

Quando for comprovado que você usou dinheiro público para financiar viagens e compras de seus parentes e aderentes:
Reaja com indignação. Grite bem alto que sua família é sagrada e está acima de tudo e de todos!...

Quando com razão, lhe acusarem de compra de votos:
Deixe bem claro que você estava apenas praticando boas ações, isto é, filantropia. Na digitação de sua defesa, tenha o devido cuidado para não trocar o f por um p...

Quando for preso em flagrante delito:
Chore diante das câmeras, fale que estava possuído e trate logo de por toda a culpa no demônio...

Quando em meio a tudo isto você tiver um mal súbito e for parar no inferno:
Lá, nenhum plano b funciona, Mr. Dick! E será inútil argumentar que você não foi avisado...


Humberto de Lima

domingo, 14 de junho de 2009

As acácias da lagoa

Enquanto meus amigos fotografavam e filmavam as belas acácias da lagoa do Parque Sólon de Lucena, em João Pessoa, tive minha atenção despertada para a voz de uma senhora que passava.
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- Meu Deus! – Exclamou ela – Vivo aqui há quarenta e dois anos, passo por aqui todos os dias e nunca parei para perceber que temos na cidade uma coisa tão linda!

Sorri juntamente com ela, e aprendi de um jeito inesquecível, uma lição que fica cada vez mais viva, à medida que eu envelheço: É preciso parar para ver as acácias!

A tecnologia nos deu equipamentos que nos permitem fazer tudo mais rápido. O automóvel e o avião chegaram para substituir as montarias e nos fazem chegar mais depressa a qualquer lugar. O telefone nos libertou da longa espera; por causa dele podemos ouvir, ao vivo, a voz daquele parente que ainda não voltou do outro lado do país. Já não precisamos esperar semanas para fazer chegar nossa carta até ao amigo que vive no estrangeiro; o e-mail vai mais ligeiro. O controle remoto acelera a mudança dos canais de TV; e, a câmera digital nos deixa ver, logo depois do clique, como ficou a foto!

Ganhamos tempo? Sobra tempo?

Parece paradoxal; o homem da era cibernética vive mais tempo e tem cada vez menos tempo para apreciar as coisas boas da vida! E ela, a vida, apesar de mais longa agora, vai passando sem graça e cheia de stress, ansiosa por um futuro melhor, mas apática e indiferente quanto ao presente...

É preciso parar de vez em quando! E...

Ficar descalço e sentir o chão;
Olhar pra cima e apreciar a noite;
Ver, cheirar e sentir a textura das flores;
Deixar o suor correr rosto abaixo durante aquela caminhada sob o sol da manhã;
Cuidar de uma planta;
Ouvir, cantar ou tocar uma música;
Sentar com amigos;
Ler algo que você não tem obrigação de ler, apenas vontade;
Desligar todas as saídas de áudio e vídeo e escutar somente o som que vem das pessoas, dos bichos e do vento;
Degustar devagar, cada colher, copo, fatia...
A propósito, você consegue lembrar detalhes do seu almoço de ontem?

Não corra o risco de viver seu hoje sem juntar boas lembranças para seu amanhã. Pare e veja as acácias!


Humberto de Lima

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Pelos caminhos de Fagundes

Nos últimos dias, por causa do trabalho, tenho passado bastante tempo no escritório. Mas, uma semana atrás, Vanderlei Melo me convidou para ir com ele ao Sítio Marcelina. Montamos na moto e pegamos a estrada de terra que leva até lá.

Fomos devagar, pois além da vontade de chegar, eu também queria apreciar os detalhes que o inverno do Agreste pinta por essas bandas.

No caminho, tudo muito verde, as roças bem crescidas, e o riacho correndo com força, rumo ao açude do Gavião. Por aqui, nesta época do ano, se costuma plantar milho, feijão e fava, tudo junto!

Um carcará estava empoleirado em uma estaca; e, enquanto subíamos e descíamos as ladeiras, fui observando e fotografando com os olhos as lavadeiras, os quero-quero, os tizius, os bigodinhos e outros pássaros típicos de nossa região. Por falar nos tizius, é divertido ver como eles cantam enquanto pulam e pulam enquanto cantam.

Quando chegamos, três homens estavam sentados no alpendre, conversando e comendo. Sentei com eles, e, quando comecei a puxar assunto, fiquei surpreso ao ver que a mata nativa está toda se recompondo no pé da serra! Comemorei a descoberta e falei pra eles sobre a importância que a mata tem para o equilíbrio do meio ambiente e para a preservação das fontes de água. Satisfeitos, me falaram que a idéia agora é preservar. Perguntei se Aramy, o ambientalista, tem passado por lá; responderam que o avistam sempre. E continuei ali, sentado, curtindo a prosa...

Um gato bem gordo, que estava tomando sol na calçada, veio preguiçosamente em minha direção; disseram que ele estava interessado no milho que eu estava comendo.

- Gato, comendo milho assado?
- Sim, esse gosta!

Debulhei os grãos e ofereci uma mão cheia ao bichano. Ele comeu tudo e ainda queria mais!

Depois me chamaram para visitar a casa de farinha; eu sempre tive vontade de entrar em uma delas e nem imaginava que houvesse uma tão perto. Também conheci Dona Araúja, avó de Vanderlei. Perto de completar seus 91 anos, ela continua bem lúcida, cheia de fé em Nosso Senhor Jesus Cristo e bem decidida! Quando perguntei se ela gostaria de deixar o Marcelina para ir morar na rua, respondeu dizendo que não sai do seu canto de jeito nenhum!

Por volta das quatro e meia, fizemos uma breve oração e nos despedimos. Voltei pra casa, convencido de que uma ida ao sítio numa tarde de domingo, além de ser melhor do que ficar vendo televisão, é uma experiência prá lá de agradável...
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OBS: As fotos acima apresentam paisagens fagundenses, clicadas pelo amigo Glórgio Gardel.

Humberto de Lima

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