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"Eu penso que patriotismo é como caridade - Começa em casa!". (Henry James).

domingo, 7 de setembro de 2008

Jet Leg às avessas.


Fagundes, Recife, São Paulo, Dallas, Los Angeles, Ilha de Maui! Depois de muitas horas, incluindo o intervalo de espera entre um vôo e outro, finalmente lá estava eu, bem no meio do Oceano Pacífico, onde iria ficar por um tempo, estudando sobre liderança. Até que meu relógio biológico se adaptasse ao fuso horário local, experimentei um pouco de cansaço, dor de cabeça, sensação de náusea, vontade de dormir quando deveria estar acordado e vice versa. Eram sintomas do famoso jet leg, muito comum nas viagens intercontinentais. Lá chegando, procurei me expor ao máximo à luz natural, resistindo à tentação de deitar antes que a noite chegasse, e ingeri bastante líquido e comida leve. Por volta do quarto dia, eu já estava adaptado, com atividades em dois turnos, sem nenhum problema, com folga aos domingos.

As semanas voaram; e, ao final do curso, foi organizada uma festa das nações, da qual (foto, da esquerda para a direita) Eduardo Assencio, Eu, Osnir Ferreira, Alexandre Rossi, Silvio Esteves e Francisco Gortz, participamos, cantando um forró que fez levantar e balançar a gringada toda! Depois, houve um desfile; e eu fui indicado pelos colegas para conduzir o nosso pavilhão. Confesso que uma lágrima brotou quando naquela sala, recebi a bandeira verde-amarela das mãos do Dr. Aldo Fontao. E foi sentindo um misto de saudade e orgulho, que eu adentrei a passarela...

Finalmente, de volta pra casa, experimentei um jet leg às avessas, um jet leg bem diferente, cultural, social, político! Comecei a pensar:

- Aqui em meu país as ruas são esburacadas, motoristas não respeitam pedestres, funcionários públicos não atendem bem, vendedores olham primeiro para nossa roupa e depois decidem se vão nos dar atenção, bancos massacram a clientela com juros altos e filas intermináveis, o “jeitinho” e a "lei do Gerson" estão presentes em tudo o que é lugar...

Os sintomas desse meu outro jet leg foram indignação e tristeza, causadas pelas comparações que eu acabara de fazer. Hoje eu entendo porque muitos brasileiros sentem uma vontade enorme de voltar; mas, depois que chegam, sentem uma raiva igualmente grande. É o jet leg às avessas! Alguns reclamam muito e ficam insuportáveis nos primeiros dias; já outros ficam chatos para sempre...

Confesso que passados alguns anos depois daquela minha primeira viagem, ainda não me curei desse tipo de jet leg. Simplesmente não dá para ficar passivo diante de certas coisas do nosso tropicalíssimo jeito de ser! Por isso, vivo pregando, ministrando palestras, escrevendo sobre cidadania e fazendo o que posso para melhorar o lugar onde vivo.
 
Hoje é sete de Setembro e apesar de tudo, ainda amo o Brasil!

 
Humberto de Lima.

5 comentários:

Serlene Ana disse...

è isso amigo, essa indignação eu também sinto.É preciso escrever para desabafar.
um abraço
Serlene Ana

Dra. Guia disse...

Bom ler sua mensagem; pois tenho ido à América do Norte e sinto o mesmo efeito jet leg que o senhor sente. Por isso, não estimulo minha filha para que volte, deixo-a à vontade... Boa semana para o senhor e sua família!

Anônimo disse...

Compreendo sua indignação, mas será que devemos fugir da nossa realidade ou procurar mudá-la? Afinal de contas existe cidades em nosso país em que a cidadania é repeitada; portanto, lembremo-nos de que precisamos fazer alguma coisa para que nossa geração posterior sinta orgulho de viver aqui! Que tal sermos agentes ativos da mudança? Um abraço! Bom final de semana!

Humberto de Lima disse...

Querido (a) anônimo (a),

Seja bem vindo (a) ao HumbertodeLima.com

Você tem razão quando diz que devemos batalhar para melhorar o lugar onde vivemos; afinal, a indignação pura e simples não produz mudanças. É por isso que prego, escrevo e tento fazer o que posso...

Obrigado por ser mais um (a) aliado (a) nessa luta!

Abraço carinhoso,

Humberto de Lima.

Silvio Esteves disse...

Uma coisa que nós tinhamos de aprender com os estadosunidenses, é o sentimento patriótico deles lá. Depois de passar vários 4 de julho por lá, vi que a diferença entre os dois povos é gigante. Hoje é 7 de setembro, e eu não vejo bandeirinhas do Brasil em lugar nenhum, a começar pela minha casa. Um pena, e vergonha pra mim e para meus conterraneos.

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